quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Dos livros ao mapa uma rota literária


Há sítios que nos inspiram. Quer seja uma serra coberta de belas árvores frondosas, um rio calmo e turquesa ou uma cidade a fervilhar de actividade intelectual, todos temos algum lugar no qual as nossas ideias parecem surgir melhores e maiores.  Como a nós, também aos melhores escritores ao longo dos tempos isto tem sucedido. Assim, pegue no seu marcador e encontre uma cadeira confortável, vamos dar um passeio por
algumas das paisagens mais inspiradoras do Mundo.
E sabe o que já dava um grande livro? A história da TravelTailors e as mais de 2.000 viagens que preparou! 


No Século XIX, a cidade de Boston, no nordeste dos Estados Unidos, fervilhava com a criação de diversos movimentos influentes como o Romantismo Americano, o Realismo Americano e o Transcendentalismo. Com escritores como Henry David Thoreau, Margaret Fuller e James Russell Lowell, não é de admirar que a "Old Corner Bookstore" - onde estes se reuniam - seja considerada o berço da literatura americana. Foi aqui também que abriu a primeira biblioteca gratuita dos EUA, ajudando a cimentar este lugar como a capital intelectual deste país - ou, como alguns lhe chamam, a Atenas da América.



PARIS, FRANÇA 
Ao longo dos séculos, poucas cidades se podem gabar de ter hospedado tantos e tamanhos escritores - Molière, La Fontaine, Voltaire, Rousseau, Balzac, Dumas e Camus, para citar alguns, - como a bela Paris. Muitos deles chegaram inclusivamente a contactar entre si nos carismáticos cafés e bares da cidade. Nenhumamante de literatura consegue ficar indiferente às belas esplanadas onde, há quase dois séculos, "Os Três Mosqueteiros" estava a ser escrito. Sendo uma cidade conhecida pelas mais diversas artes, com o Louvre como ponto de referência, Paris é uma capital mundial também na literatura.



CANÁRIAS, ESPANHA 
Depois de enfrentar duras críticas após o lançamento do seu livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", José Saramago, o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o prémio Nobel da Literatura, decidiu radicar-se na ilha de Lanzarote, a mais oriental de todas as ilhas do arquipélago das Canárias. Esta ilha vulcânica, de fabulosas paisagens, veio a inspirar os escritos de um dos mais conceituados autores portugueses do Século XX até à data da sua morte. Na ilha, a mescla de areais e de formações geológicas formam um cenário admirável para a construção de histórias e contos.



Considerada Cidade da Literatura pela UNESCO em 2008, Melbourne é o coração do panorama literário australiano. Com a sua multitude de livrarias, bibliotecas e editoras, Melbourne apresenta-se como uma cidade de leitores para leitores, como comprova a realização anual do Melbourne Writers Festival, um evento que promove e divulga o trabalho dos escritores. Situada na zona Sul da Austrália, Melbourne é um autêntico pot-pourri das mais diversas artes, da música à pintura, mas é a literatura que a torna conceituada por todo o Mundo, além de a transformar num destino apetecível para todos os leitores incorrigíveis.



SÃO LEONARDO DA GALAFURA, PORTUGAL 
Um dos mais belos miradouros do país, o Miradouro de São Leonardo da Galafura situa-se numa elevação, com vista privilegiada para onde o rio Douro faz um cotovelo. Oferecendo uma vista esplendorosa sobre as extensas vinhas, as serras cortadas por vales e, claro, o rio - tão pacífico visto daqui -, este miradouro foi descrito por Miguel Torga como sendo "Um poema geológico. A beleza absoluta." Sentado nas rochas que permitem saborear o Sol, a brisa e a paisagem, é fácil concordar. Se a poesia de Miguel Torga inclui alguns dos mais belos versos escritos em português, então a Galafura será certamente parcialmente responsável.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

No Topo do Mundo viagens à altura


Durante séculos, o misticismo e a superstição afastaram humanos de diversas culturas dos cumes das montanhas mais altas que os rodeavam. O passar dos séculos e a chegada do pensamento iluminista, porém, vieram aproximar o Homem daquilo que antes era considerado residência divina. Criadas pela deslocação de placas tectónicas ou por actividade vulcânica, montanhas de todo o Mundo são atracções que primam pelas emoções fortes e pelas paisagens de cortar a respiração. Por isso, sugerimos umas botas confortáveis, porque vamos dar uma volta por alguns dos cumes mais belas do planeta. 


MONTANHAS ROCHOSAS, CANADÁ 
No zona Oeste da América do Norte, estende-se a cordilheira das Montanhas Rochosas - uma estrutura montanhosa de quase cinco mil quilómetros de comprimento que vai do Norte da Colômbia Britânica, no Canadá, até ao Sul do Novo México, nos Estados Unidos. A erosão causada pelos rios que nascem nas montanhas criou aqui vales profundos e picos íngremes, muitas vezes culminando em belos e extensos lagos que permitem dar um mergulho refrescante. Nestas montanhas, observam-se povos índios nativos, animais raros e uma paisagem a perder de vista. 


MONTE FUJI, JAPÃO
O ponto mais alto da ilha do Japão, um vulcão agora adormecido, o Monte Fuji situa-se a sensivelmente 100 quilómetros da capital Tóquio. Situado junto à costa, o seu aspecto geometricamente perfeito, a sua cobertura de neve e as belas árvores em flor ao seu redor tornam-no num local lendário, procurado por artistas de todos os tipos. De resto, a beleza suave deste monte parece adequar-se perfeitamente a um país com tantos etão belos monumentos, e um estilo arquitectónico tão harmonioso e fluido. Com diversas opções para os visitantes que pretendam subir até ao cume, o Monte Fuji é uma atracção deliciosa em alturas de tempo agradável mas de menor procura - porque o Verão pode ser confuso...


HIMALAIAS, BUTÃO 
A cordilheira dos Himalaias é um dos locais mais impressionantes do planeta Terra. Situado onde o subcontinente indiano encontrou a Eurásia, este ajuntamento montanhoso contém nove dos dez pontos mais altos do Mundo, com destaque para o colossal Monte Everest, o mais alto de todos eles. Casa dos famosos sherpas, com a ajuda dos quais os Ocidentais conseguiram conquistar os cumes mais altos, a região dos Himalaias é a casa de belos animais como o iaque, o leopardo-das-neves e o panda vermelho. Recomendado a todos os que desejem uma injecção de adrenalina, o mosteiro de Taktshang, esculpido nas montanhas, é uma visão fantástica.


KILIMANJARO, TANZÂNIA 
Erguendo-se no meio da savana africana, rodeado de zebras, elefantes, girafas e leões, o monte Kilimanjaro é o ponto mais alto do continente africano - bem como um dos mais belos. O seu cume coberto de neve e rodeado pelas nuvens contrasta magistralmente com a aridez dos terrenos em volta, conferindo ao local uma aura mística que levou alguns povos locais a considerar que a sua divindade habitaria no topo desta montanha de origem vulcânica. Localizado perto da fronteira com o Quénia, ainda na Tanzânia, o Kilimanjaro é a mais alta montanha não pertencente a uma cordilheira - e é uma visita espantosa para os viajantes mais aventureiros.

   
PICO, AÇORES,PORTUGAL 
O ponto mais alto do território português, situado na Ilha do Pico a quem deu o nome, este vulcão actualmente extinto é uma visão imponente no meio das águas do Oceano Atlântico. Com quase 5000 metros, mais de metade submersos, este pico rochoso está rodeado por uma parque natural que permite ao visitante desfrutar de uma calma e de um silêncio quase exclusivos das grandes montanhas. Situado no arquipélago dos Açores, a ilha do Pico é uma autêntica maravilha natural, com as suas lagoas azuis e a sua visão desimpedida para a grande montanha, da qual se pode observar as ilhas mais próximas do arquipélago. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Castelos e Palácios


Desde a infância que sonhamos com contos de fadas, em que somos príncipes e princesas dos mais belos castelos e palácios do mundo. Já se imaginou a deambular pelos mais sumptuosos? Na newsletter do mês de Novembro trazemos-lhe algumas sugestões que farão com que regresse aos seus tempos de infância. Viaje pela Coreia do Sul, pela Lituânia, pelo Irão, pela Escócia e por Portugal… e delicie-se com a magia dos seus castelos e palácios.



LAGOA ANAPJI, COREIA DO SUL
A lagoa de Anapji, é uma lagoa artificial localizada no Parque Nacional de Gyeongju, e foi mandada construir por ordem do rei Munmu em 674 DC. A lagoa está situada a nordeste do palácio Banwolseong, localizado no centro de Gyeongju. A lagoa foi renovada em 1974. Drenaram a água da lagoa e durante as escavações encontraram algumas relíquias históricas, que estavam soterradas, como: figuras de budas em bronze, jóias, artigos de cerâmica e artigos de arquitectura.



PANEMUNÉ, LITUÂNIA
O castelo Panemuné, na Lituânia, é uma construção que remonta ao século XVII, sendo, também, a peça mais bela da era do Renascimento na Lituânia. O castelo de Panemuné não foi desenhado para ser uma fortaleza defensiva, mas sim para ser uma casa de nobre, com defesa adequada, com uma casa residencial e com quintas. O Panemuné está localizado dentro de um parque natural, no topo de uma montanha, rodeado por cinco lagos com belíssimas cascatas. O castelo está preparado para receber visitantes, sendo possível anda dentro do edifício e admirar a vista maravilhosa das torres do castelo.



GOLESTAN, IRÃO
O palácio Golestan, foi construído no século XVI e sofreu uma reconstrução já no decorrer do século XIX. Este monumento está localizado em Teerão, no Irão. O seu aspecto actual é evidenciado pela fotografia, com um grande lago artificial e o jardim que antecedem este belíssimo palácio. Este monumento pertence a um conjunto de edifícios que estavam dentro da "Arg" - que é uma histórica cidade de Teerão. O edifício foi classificado
como Património Mundial da UNESCO.



ELIEAN DONAN, ESCÓCIA
O castelo Eilean Donan foi construído no início do século XIII com o intuito de servir como defesa contra os vikings. O castelo foi edificado numa pequena ilha em Loch Duich, a oeste das Terras Altas da Escócia. O edifício foi restaurado entre 1919 e 1932, e nessa manutenção foi criada uma ponte de arcos com o intuito de facilitar o acesso ao castelo. O monumento é um ponto de atracção para vários amantes de fotografia, mas também já foi palco para a realização de filmagens cinematográficas.



CASTELO DE LEIRIA, PORTUGAL
Mandado erguer por D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal, o Castelo de Leiria, em Portugal, tinha como principal objectivo estabelecer uma linha defensiva dos árabes, no entanto as guerras com a Galiza foram aproveitadas para que se apoderassem de Leiria enquanto os portugueses combatiam a Norte. Ao longo dos séculos este castelo foi progressivamente perdendo o seu valor militar e durante as invasões francesas foi bastante danificado. Nos finais do século XIX, por iniciativa dos Amigos do Castelo, iniciaram-se obras de restauro, tendo sido mais tarde, no século XX, considerado Monumento Nacional. No interior deste castelo encontramos o Paço Real, a Igreja de Santa Maria da Pena e a Torres de Menagem.


Turismo de Portugal lança campanha para pôr o país no mapa

A nova campanha publicitária do Turismo de Portugal está a desafiar os portugueses a pôr o país no mapa. Os pequenos filmes seleccionados vão compor “o primeiro vídeo mapa do país”.

O objectivo é “incentivar os portugueses à realização de mini férias na época baixa”, mostrando a “diversidade da oferta turística nacional através do ponto de vista dos [próprios] portugueses”, indicam em comunicado. 
Para isso, semanalmente vão sendo lançados desafios que procuram inspirar a produção de pequenos filmes sobre “o que [cada participante] considera ser mais interessante visitar em Portugal” dentro de cada temática. 
O primeiro desafio já foi lançado e o mote é: “O país do mar”. Desde então têm surgido vídeos sobre praias de Norte a Sul, filmagens subaquáticas, golfinhos a saltitar no Sado ou um barco a navegar ao largo da ilha do Pico.
Para participar na campanha do Turismo de Portugal é necessário instalar a aplicação móvel Glymt – criada por uma startup portuguesa –, fazer um vídeo com uma duração entre 5 e 20 segundos e carregá-lo na app. É lá que todas as semanas vão sendo lançados os 16 desafios que compõem o passatempo, abertos à participação durante 15 dias.
Os melhores vídeos vão ser integrados no “primeiro vídeo mapa de Portugal” e “os melhores entre os melhores” recebem uma “recompensa de 50€”. Os vídeos seleccionados poderão ainda “ser utilizados na comunicação nacional e internacional do país, até ao limite máximo de 400”.
Na segunda fase da campanha, já com o nome “Ponha Portugal no seu mapa”, serão criados spots publicitários “a partir de uma selecção dos vídeos feitos pelos portugueses durante a fase de mobilização”, que serão exibidos em “canais de televisão e outros meios”.
No primeiro semestre deste ano, o número de portugueses a escolher Portugal para fazer férias aumentou 7,6%, correspondendo a cerca de 40,6% do total de hóspedes no país (3,5 milhões). No entanto, o presidente do Turismo de Portugal defende que, “apesar de este ser um óptimo sinal”, é preciso “ambicionar mais”, uma vez que os resultados “podem ser claramente melhorados”.
“O turismo interno é um factor de dinamização das regiões e representa também um papel crucial na redução da sazonalidade turística”, defende Luís Araújo em comunicado.
Fonte: Fugas

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Eslovénia, por entre castelos encantados

A Eslovénia acolhe mais de uma centena de construções que, na sua maior parte, serviram os senhores feudais. Hoje, estão transformadas em mansões, em hotéis, em museus mas quase todas oferecem admiráveis panorâmicas sobre um território que se veste de verde.



- Perto da minha cidade, em Crnomelj, também há um castelo, o de Otocec (sobre uma ilha do rio Krka, tendo inspirado vários escritores eslovenos), onde se celebrou o casamento de um primo meu, uma cerimónia bonita e romântica que decorreu no interior, por entre uma decoração de estilo antigo, como supostamente deveria ser em tempos imemoriais.

Tina Križman fita o céu, como se a abóbada do mundo lhe devolvesse essa época, sorri e continua, sem que a deixe interromper.

- Mas é este castelo o que mais me atrai em todo o país. Não está longe de Ljubljana, é o ideal para um passeio de um dia, tem um vista soberba sobre o lago e, com os meus amigos, posso sempre alugar um barco antes de, ao final da tarde, saborear uma blejska kremsnita, um doce típico de Bled, para tornar o dia ainda mais doce.

A pletna, com o seu toldo colorido, sulca as águas, o homem, de braços fortes e mãos gordas, recorta-se na popa contra o céu sem um único fio de nuvens e, com agilidade, o rosto emoldurado por um esgar de esforço, rasga aquele manto esmeralda com os remos de madeira, pintados de um azul forte numa das extremidades. Encimando a colina, sobre um rochedo cinzento pelo qual trepa a vegetação, o castelo é como uma sentinela do lago, um dos quadros mais harmoniosos deste país moldado pelos Alpes e pelo Adriático, com pouco mais de dois milhões de habitantes e uma área ligeiramente superior a 20 mil metros quadrados (Portugal tem quase cinco vezes mais).

A pletna aproxima-se da pequena ilha no meio do lago glacial, dominada, ao cimo de uma escadaria, pela igreja da Assunção. À direita, continuo a avistar o castelo, majestoso a 130 metros de altura, as montanhas escurecidas como fundo e, mais para baixo, por entre os ramos irregulares das árvores, uma igreja cujo campanário sobe uma agulha, como um grande chapéu cónico. Um menino, com uns olhos de um azul-vivo, vai escutando da boca da mãe histórias de bruxas que não lhe provocam qualquer temor. No seu imaginário, o castelo, no topo, serve de cenário para a ficção. E ele ergue um olhar angustiado perante a ansiedade de caminhar por aquela varanda que se atira sobre o lago. 

- Conta outra vez, roga, com uma insistência que apenas é quebrada quando o pai, segurando-o pelas pernas, o ajuda a tocar o sino da igreja, cumprindo uma tradição.

Mas logo os seus olhos dançam de novo pelo castelo.

- Conta outra vez.

Corria o ano de 1500, mais ano menos ano, o castelo era por essa altura administrado por Hartman Kreigh, um homem duro que, encorajado pelo regime de opressão da igreja e da realeza, privava os lavradores de todos os seus direitos. Um dia, Hartman Kreigh desapareceu, sem deixar rasto, alegadamente morto por ladrões, na pior das hipóteses vítima do descontentamento daqueles sobre quem abusara, ao abrigo da sua autoridade. Reza a lenda que a mulher, agora viúva, também governava com firmeza.

A pletna, cumprindo o percurso de volta, aproxima-se da margem do lago e a criança, como quem entoa um refrão, não se cansa de ouvir a história.

- Conta outra vez.

Poliksena terá roubado os agricultores até ao último centavo mas, provavelmente num acto de arrependimento, conduziu os seus passos para os cofres onde, ao longo dos anos, acumulara uma fortuna considerável, em prata e ouro. Com o ouro, mandou fazer um sino que deveria ser transportado para a igreja no meio daquela que é a única ilha natural da Eslovénia.

Era um dia de tempestade.

O barco, com a sua tripulação e o sino, afundou-se.

O lago não tem uma profundidade superior a 30 metros e o sino estará algures na lama que se acumula no fundo. Nos dias em que o silêncio impera, ainda se podem ouvir as suas badaladas.

Pode ser verdade.

Poliksena, no seu eterno pesar, doou parte da sua fortuna à igreja e instalou-se num convento, em Roma. Um dia, o Papa ouviu tão dramática história e, comovido, enviou um sino para a pequena igreja no meio do lago Bled.

Quem tocar o sino, pedindo uma desejo a Santa Maria, será correspondido.

Pode ser verdade.

Ao longe, ainda avisto a escadaria que desagua na igreja barroca. Manda a tradição que o noivo carregue a noiva até ao cimo, até à porta da igreja. Se o fizer, provavelmente contando uma a uma as 99 escadas, o casal viverá feliz.

Pode ser verdade.

- Conta outra vez.

Do castelo, a panorâmica fica gravada na memória com a mesma facilidade com que um postal de Bled pode ficar esquecido numa gaveta. Os Alpes Julianos, a cadeia montanhosa de Karavanke, o lago, com as suas águas serenas polvilhadas de pletnas, a ilha romântica – tudo o que nos rodeia convida-nos a virar as costas ao castelo que, mais do que um símbolo de Bled, é um símbolo da Eslovénia, com o seu estatuto de castelo mais antigo do país. Já em 1004, há mais de mil anos, o rei alemão Henrique II atribuiu os domínios de Bled, na província então conhecida como Carniola, ao bispado de Brixen. A figura suprema da igreja era Albuin, mais tarde substituído no cargo por Adalberon, a quem o mesmo monarca cedeu o castelo no cimo do penhasco – Veldes, como era designado pelos alemães -, conforme atesta uma carta de 1011, a primeira referência histórica ao imponente conjunto que foi passando de mão em mão até aos nossos dias.

Propriedade de Brixen, os seus representantes praticamente nunca colocaram os pés em Bled, talvez por temerem os seis dias de caminho para percorrer 300 quilómetros puxados por quatro cavalos ou os perigos que se escondiam ao longo dos vales durante o trajecto. Esta ausência, acrescida ao facto de a propriedade ser alugada com frequência, explica, pelo menos em parte, uma certa orfandade do interior, sem móveis valiosos, sem grande valor histórico – e muitos anos mais tarde, no século XIX e já depois da ocupação Francesa, nem com o regresso do bispado de Brixen a situação se alterou.

Os altos custos de manutenção do castelo, associados ao fim da lei feudal, apressaram a sua venda a industriais, mais tarde a mercadores e ainda a homens de negócios ligados à indústria hoteleira, megalómanos que, tendo comprado também o lago e a ilha, não tardaram a ver todo o complexo confiscado pela banca. Finalmente, em 1947, um incêndio destruiu grande parte do telhado do edifício, mas, cinco anos mais tarde, com a assinatura do arquitecto Tone Bitenc, um discípulo de Jože Plecnik, iniciaram-se as obras de restauro, que haveriam de se prolongar durante quase um decénio, mas que conferiram modernidade ao lugar e uma vocação para seduzir turistas que até esses dias não conhecera - e mesmo grandes figuras da vida política, atraídas por aquela paisagem inigualável, pela serenidade que sobe do lago e das montanhas tão bem recortadas contra o céu que, por agora, permanece azul.

Ainda parece que escuto a voz do menino.

Bled é como um postal. Mas um postal que nunca é ignorado numa gaveta. É uma memória, viva, permanente, uma recordação, porque as recordações nunca precisam de ser escavadas na mente para serem revisitadas. Estão presentes.   

- Conta outra vez.

Skofja Loka

Uma neblina paira sobre a cidade, mas a igreja, pintada de um amarelo desmaiado, recebe os raios do sol que incidem também sobre os telhados que conferem harmonia a Skofja Loka. Finalmente, quando a manhã já avança, a bruma despede-se e deixa ver, dominando a pequena urbe situada na confluência dos rios Poljane Sora e Selca Sora e recortado pelas montanhas, o castelo homónimo, já documentado no século XIII. Ainda mais para cima, já quase a 500 metros acima do nível das águas do mar, avista-se a Krancelj, uma colina que acolhe as ruínas de uma antiga fortaleza onde, até 1892, se levantava aquela que era a estrutura mais alta do castelo, e à volta da qual foram nascendo núcleos residenciais.

Uma das cidades medievais mais bem preservadas do país, Skofja Loka tem uma forte e ancestral conotação com o poder eclesiástico por ter abrigado, já depois da construção do castelo erguido inicialmente com fins defensivos e até à secularização, nos primeiros anos do século XIX, o bispado de Freizing, um braço religioso do Sacro Império Romano-Germânico.

À volta da torre principal existiam, já no século XIV, alas residenciais que ligavam a outras torres defensivas, mas o forte terramoto que abalou a região, em 1511, provocou danos avultados que motivaram a sua renovação e da área circundante – uma das torres recebeu, em 1527, uma capela que acolhe, hoje, altares em talha dourada da igreja de Dražgoše, queimada pelos alemães. Com o fim do Sacro Império Romano-Germânico, o castelo, como aconteceu com Bled, passou de mão em mão, como um brinquedo, tendo proprietários sem qualquer noção de beleza estética ou de sentido histórico que hipotecaram alguns dos seus elementos mais marcantes.

Desde 1959 e até aos dias de hoje, o castelo, palco, de quando em vez, de manifestações que remetem o visitante para a Idade Média, abriga um museu e outras galerias com importantes colecções de arte de mercadores nativos de Škofja Loka e arredores, bem como uma amostra da história local e da vida na terra de Ivan Tavcar, o escritor, advogado e político que nasceu, no início da segunda metade do século XIX, numa aldeia próxima, em Poljane, na época parte integrante do Império Áustro-Húngaro.

Gewerkenegg

Só mesmo uma rajada de vento seria capaz de arrebatar aquela calma que pairava sobre a vila tão silenciosa. O céu vestia-se de um azul-cobalto, o ar era puro, a luz diáfana. A meio das escadas, detive-me para erguer o olhar. Era ainda cedo, dizia-me o relógio da torre que, mesmo ao meio, superava em altura as duas torres austeras que a ladeavam, com as suas janelinhas e o seu telhado avermelhado. 

Não avisto um único turista.

Volto-me de novo para o castelo, o único, em todo o país, que não foi levantado pelos senhores feudais mas tão-só para fazer face às necessidades das minas de mercúrio – durante mais de 400 anos, Gewerkenegg funcionou como sede administrativa do sector que proporcionou um tempo de esplendor à região.

Idrija, a despeito de estar situada próxima da capital eslovena, para oeste, é praticamente ignorada pelos grandes circuitos turísticos, como uma boneca com quem a criança, agora já numa idade adulta, deixou de sentir prazer em brincar.

É pena – assim penso eu e muitos dos, não mais de, seis mil habitantes. 

Para conhecer a história do castelo de Gewerkenegg é fundamental trilhar, em primeiro lugar, as etapas da vida de Idrija (cuja toponímia provém de hydrargyrum, a palavra latina para mercúrio), reconhecida (o seu património mineiro) pela UNESCO desde 2012. Em finais do século XV, reza a lenda, um fabricante de baldes de madeira, vertendo água para um deles, sentiu-o tão pesado que não o conseguiu mover – um mistério para este homem que, ignorando o fenómeno nunca visto, rumou a Škofja Loka para se elucidar, quase com a mesma velocidade com que a notícia se espalhou, provocando a corrida ao mercúrio no vale de Idrija. Assim, no mesmo local da descoberta não tardou a ser construída uma igreja, as escavações não cessavam (a segunda maior mina de mercúrio do mundo apenas superada por Almadén, em Espanha), nasceram moradias, teatros, escolas e, já em 1533, um castelo que, servindo de armazém, beneficiava também da sua localização estratégica em caso de eventual ataque turco.

Dominando o núcleo antigo de Idrija, o castelo foi construído em estilo renascentista mas todo o complexo foi renovado já no século XVIII, altura em que foi dotado de um pátio interior e de um conjunto de frescos com uma tonalidade ocre que abraçam janelas e arcadas num puro contraste com as suas paredes exteriores, despidas de motivos decorativos.

Actualmente, Gewerkenegg acolhe o museu Idrija, cuja atracção principal, entre exposições permanentes e temporais, é uma exibição que percorre a história mineira ao longo de cinco séculos, as origens e o desenvolvimento da cidade, mas também uma importante amostra de rendas (a ocupação das mulheres dos mineiros, já nos finais do século XVII, que conduziu à abertura da primeira loja em Idrija, em 1860), uma réplica de uma casa típica de um mineiro no início do século passado e espaços que perpetuam as memórias do escritor France Bevk e do político  Aleš Bebler, bem como uma colecção de quadros oferecidos ao museu pela galerista Valentina Orsini Mazza.

Ao longo do ano, são várias as manifestações culturais que têm o castelo como cenário, incluindo concertos e conferências, mas se a sua visita não coincidir com algum evento não perca a oportunidade de visitar, a curta distância, a maior roda de madeira da Europa (com 13, 6 m de diâmetro), que servia para bombear a água e esteve em funcionamento entre 1790 e 1948, de caminhar ao longo do canal Rake, de admirar o bonito lago Divje e, escondida no meio da floresta nos limites do planalto de Vojsko, a pouco mais de uma dezena de quilómetros de Idrija, a tipografia (bem preservada) onde era impresso o único jornal da Resistência em toda a Europa durante a II Guerra Mundial.   

Predjama

A rocha forma um arco irregular, a pedra está despida, mas logo mais acima, veste-se com o verde das árvores que trepam na presunção de se juntarem à abóbada por onde caminham alguns fiapos de nuvens. Sob o arco e, como uma língua saindo de uma boca, o castelo, com janelas de diferentes tamanhos, é banhado pelos raios do sol, confirmando, como tentam convencer muitos dos guias e panfletos turísticos, que é uma das mais belas jóias deste pequeno tesouro chamado Eslovénia.

Predjama, com o seu castelo parcialmente engolido pela garganta de uma gruta, impressiona ao primeiro impacto e, com a estética do seu conjunto arquitectónico, convida os visitantes a não reprimirem uma manifestação de espanto perante o cenário que lhes é dado a ver, num lugar improvável - um desafio da natureza à mão do homem. De desafios também gostava o barão Erazem Lueger, um Robin dos Bosques da Eslovénia do século XV que, como o herói de Nottingham, assaltava os ricos para dar aos pobres, transformando-se, também ele, num mito popular.

Vivendo por ali, escondido, por vezes era obrigado a confrontar-se com o assédio de soldados inimigos e, familiarizado com todos os caminhos, insinuava-se por um passadiço secreto escavado na montanha (pode ser visitado) para se abastecer dos víveres de que necessitava para a sua rotina – e logo os exibia, com arrogância, do alto daqueles muros mais próximos do céu, desprezando o cerco de tropas pouco ou nada conhecedoras daqueles terrenos tão elevados, dominados, há mais de 700 anos, pelo castelo tão bem preservado que no seu interior nos oferece uma visão de como era a vida em tempos ancestrais, com os seus espaços residenciais, a sua capela, os seus calabouços, as suas pinturas antigas.

Maribor

Deixo as águas calmas do Drava para trás e arrasto os meus passos pela Svetozarevska ulica até desaguar na trg Svobode, deserta como as duas praças vizinhas, a Grajski trg e a tgr Generala Maistra, na véspera vibrantes, plenas de vida, conferindo charme àquela que é a segunda maior cidade da Eslovénia. Próximo de qualquer uma delas, bem no coração de Maribor, ergue-se o castelo, um dos mais magnificentes monumentos arquitectónicos numa urbe fortemente bombardeada pelos Aliados durante a II Guerra Mundial, provocando a destruição total ou parcial de quase 50 por cento dos seus edifícios.

Face à sua localização, o castelo, levantado entre 1478 e 1483, sob as ordens do Imperador Friedrich III, com o propósito de fortificar a parte nordeste da cidade muralhada, é o lugar de referência de Maribor. A parte mais antiga preserva, em alguns dos seus recantos, a sua aparência original, a despeito das inúmeras renovações e ampliações que foram alterando os seus traços puramente góticos.

Como consequência do cerco turco, em 1532, foi florescendo a ideia de dotar a estrutura de maior capacidade de defesa, conforme atesta a construção do bastião que decora a fachada do castelo e cujas obras tiveram a supervisão do conceituado arquitecto italiano Domenico dell'Allio; mais tarde, já na segunda metade do século XVI, foi construída uma capela que é uma cópia da basílica da Santa Casa de Loreto, um acréscimo que transmite ao castelo ainda maior proeminência, da mesma forma que os diferentes e nobres inquilinos lhe proporcionaram maior riqueza arquitectónica: a escadaria Rococó no seu interior, os brasões que embelezam as entradas abobadadas e o salão principal, com o seu mobiliário e quadros, bem como o tecto com pinturas que retratam uma batalha entre tropas cristãs e turcas, da autoria de Johann Gebler.

Maribor sempre atraiu figuras mediáticas e nenhuma delas se mostrou indiferente à elegância do castelo – em 1782, o Papa Pio VI aqui rezou uma missa, a caminho de um encontro com o Imperador Joseph II. Também Hitler, de visita à cidade, discursou neste cenário, pronunciando uma frase que muitos eslovenos ainda hoje escutam da boca dos seus familiares: “Tornem este país alemão outra vez”.

Ptuj

A colina onde está situado o castelo de Ptuj sempre foi apreciada, em tempos pré-históricos e no tempo dos romanos. Pela sua localização estratégica, também atraiu de imediato os senhores feudais. Não se sabe se foi no século IX ou X, mas num deles já existia um castelo do qual se podia obter uma panorâmica sobre o que é hoje a cidade rasgada pelas águas do rio Drava. Desse tempo, não resta mais do que uma torre, mas no século XII, temendo os ataques húngaros e quando Ptuj fazia parte da arquidiocese de Salzburgo, o arcebispo Konrad, daquela cidade austríaca, ordenou a construção de um novo castelo, depois restaurado, durante o Renascimento e no período Barroco.

Como acontece em muitos outros casos, o castelo de Ptuj foi convertido num museu e oferece, a quem o visita, múltiplas atracções, tanto nos seus pisos térreos (instrumentos musicais usados por abastados nobres) como no primeiro andar, onde se encontram os espaços mais elegantes, contemplando mostras (mobília, quadros, objectos do dia a dia) que vão da segunda metade do século XVI à segunda metade do século XIX, enquanto no segundo piso se traça um pouco da história do (famoso) Carnaval por estas redondezas, com uma exibição de trajes e máscaras.

Celje

Quando, no século XVII, o telhado se abateu, anunciando uma (quase) inevitável decadência, poucos terão meditado sobre a história que encerrava o castelo, posicionado no dorso de uma colina. Construído no século XII pelos condes de Vovberg, donos e senhores de Celje (até à sua extinção, em 1322) e das terras à volta, o castelo, depois de muitas batalhas que se prolongaram por um decénio, ficou na posse dos seus herdeiros, os lordes de Zovnek, mais tarde os condes de Celje, uma família ambiciosa e plena de sucesso, influente e poderosa, hábil na política e em materializar casamentos especulativos e, ao mesmo tempo, envolta numa aura de heroísmo – são célebres as histórias de Herman II, salvando Sigismundo de Luxemburgo de uma morte certa na batalha contra os turcos em Nikopolje, no final do século XIV, e o duelo que travou (e venceu) no Lago Constança, como o duque (e mais tarde também imperador) Friedrich.

Nas suas diferentes etapas, ao longo das quais conheceu outros tantos proprietários – quando já nem um único descendente dos condes de Celje restava -, o castelo, com os seus triplos muros defensivos, viveu sempre sob a ameaça de uma ruína total e serviu, inclusive, como pedreira em 1755. Quase cem anos mais tarde, iniciaram-se as obras de recuperação dos seus muros e das ruínas começaram a despertar, vagarosamente (nenhuma outra estrutura em todo o país requereu tanto tempo para ser reabilitada), os traços da grandeza que o caracterizaram, se bem que o interior pouco ou nada mostra das suas origens, o que não impede de ser considerado como o mais importante e o maior castelo medieval em todo o país, com toda a sua multiplicidade de estilos que vão do Gótico ao Românico e ao  Renascentista. 

Žužemberk

O rio Krka corre silencioso e na margem esquerda, mal ergo o olhar, avisto o castelo projectando-se, como uma varanda, sobre a pequena cidade que é também município dos Alpes Dináricos. Os romanos construíram uma estrada que passava pela região, Žužemberk aparece pela primeira vez reportada em documentos em 1246 mas admite-se que a existência do castelo é bem mais antiga, recuando ao ano 1000 – e à volta dele foi crescendo a localidade, em tempos remotos habitada por camponeses e artesãos.

Pouco depois do primeiro quarto do século XVI, o castelo adquiriu uma nova forma, com a suas sete torres defensivas que lhe conferiram mais poder e o tornaram apetecível entre a nobreza, ao ponto de não tardar a ser adquirido pela família Auersperg – Janez Vajkard I Auesperg, tutor do Imperador Ferdinand III, foi um dos seus proprietários. Na mira de constantes ataques (alguns soldados, mortos durante as lutas, foram lançados nas florestas próximas para serem devorados por animais selvagens), o castelo nunca chegou a ser verdadeiramente destruído, nem durante a II Guerra Mundial (ao contrário da pequena igreja), quando se tornou uma fortaleza das tropas italianas e esteve sob fogo constante dos Aliados (começou a ser restaurado em 1960 e acolhe actualmente eventos turísticos e culturais).

Bogenšperk

Os castelos surgem nos lugares mais insuspeitos e conferem uma identidade própria ao país. Enquanto isso, estou cada vez mais próximo de Ljubljana.

Como um rio aproximando-se do leito, deixo-me conduzir sem pressas. Passo Litija e não tardo a chegar a Dvor, uma pequena povoação onde também não falta um castelo, cuja data de construção é desconhecida mas que está fortemente associado ao historiador Janez Vajkard Valvasor. No castelo, adquirido após ter contraído matrimónio, este polítama gastou quase toda a sua fortuna para ver publicados os seus livros (o mais famoso dos quais é A Glória do Ducado de Carniola, publicado em 1689 em 15 tomos, com um total de mais de três mil páginas e mais de 500 ilustrações), criando uma oficina onde podia escrever, desenhar e imprimir os seus trabalhos - e com tão pouco sentido de negócio que não tardou a ver-se obrigado a vender todo o seu espólio (livros e pinturas) e o próprio conjunto que tratara de remodelar, com a construção de uma adega nas caves e de uma capela dedicada à Virgem Santíssima.

Hoje, a antiga e rica biblioteca de Janez Vajkard Valvasor não acolhe livros mas casamentos (o local é muito popular entre os eslovenos) mas o castelo permanece como um bom exemplo do estilo Renascentista, com as suas quatro torres, duas rectangulares e duas cilíndricas, com os seus brasões nas fachadas, uma bonita varanda de madeira e uma nova capela (desde 1991) no piso térreo.

No exterior, sob uma luz agora impiedosa, a sensação de quietude é inigualável. Olhando Dvor, desde a crista, tenho dificuldade em apontar um dos poucos mais de cem habitantes errando por este território órfão de ruídos. Mas não de um castelo.

Ljubljana

O funicular sobe, os olhares dos turistas parecem perdidos, procurando absorver tudo o que lhes é dado a ver. Eu prefiro caminhar, são pouco mais de dez minutos desde a praça Grojni onde fui observando, pausadamente, as casas medievais; o verde acompanha-me, dá um abraço ao castelo e, uma vez no cimo da colina, atiro os olhos para baixo, para os campanários que sobem no céu, para a ponte tripla, para uma cidade bem desenhada. Mais do que o castelo, é a paisagem no sopé, com os seus tons coloridos, atravessada pelo rio Ljubljanica, que incita à ascensão ao topo.

Há evidências que provam que o lugar onde agora se situa o castelo já era habitado no século XII a.C. - e a primeira fortificação de dimensões razoáveis aqui construída remete para os tempos dos ilírios e dos celtas, admitindo-se, de igual forma, que também os romanos tiveram a sua fortaleza na colina.

Uma primeira menção à existência de um castelo medieval data do século XII (entre 1112 e 1125), tendo como proprietários a família Spannheim, que cunhava a sua própria moeda em Ljubljana. Mais tarde pertença dos Habsburgos e centro da província de Carniola, a estrutura teve diversas funções ao longo dos anos (quartel militar, prisão, entre outras) mas, à excepção das paredes exteriores da capela de São Jorge, consagrada em 1489, a maior parte dos edifícios do actual castelo foram construídos e reconstruídos entre os séculos XVI e XVII.

De 1848 é a razgledni stolp, a torre de onde eram disparados os canhões em caso de incêndio ou para anunciar a visita de alguém importante ou de eventos. Hoje, o castelo é palco de manifestações culturais, um dos lugares mais pitorescos da capital eslovena e dos que mais turistas atraem. Como Fritz von Baumann, um engenheiro natural do Liechtenstein mas a viver em Itália.

- Imagino como seria viver aqui, desfrutar desta panorâmica sobre a cidade, com os seus espaços verdes, caminhar ao encontro dela por um trilho e desfrutar das fragrâncias que chegam das árvores. Mas, ainda assim, gosto mais do castelo de Bled, recordo com uma certa melancolia a noite em que, na companhia dos meus pais, o visitei, o céu azul, a lua e as estrelas reflectindo-se no lago, como num espelho. 

Se a vida é feita de viagens, as viagens são feitas de memórias e eu recupero uma, do menino de fartos caracóis caindo como cachos sobre os ombros, de mão dada com a mãe, imaginando que, sobre aquele lago povoado de pletnas, no topo da colina, habita uma bruxa.

- Conta outra vez.

GUIA PRÁTICO

Como ir

Como não há ligações directas entre Lisboa e Ljubljana, a opção mais prática passa por fazer uma escala na Suíça, na Áustria ou na Alemanha, devendo, para tanto, consultar as tarifas (entre os 280 e os 400 euros) mais convenientes junto de companhias aéreas como a Lufthansa, a Austrain Airlines, a Swiss, a TAP, a Croatia Airlines e a Adria Airways. Zagreb, desde que obtenha um preço em conta, pode constituir a melhor alternativa, uma vez que está situada a escassos 140 quilómetros da capital eslovena.

Para visitar os castelos e percorrer o país, é conveniente alugar um carro – em Ljubljana ou em Zagreb (para circular pelas auto-estradas eslovenas terá de adquirir uma vinheta), já que ambas estão bem servidas de transportes públicos. De autocarro, num percurso que se completa em pouco mais de duas horas, há mais de uma dezena de serviços por dia entre as duas cidades, com preços que variam entre os quatro e os 11 euros (ida). Também é possível fazer a viagem de comboio, num trajecto de duas horas e vinte minutos e uma tarifa de 14 euros (22 se comprar ida e volta).

Quando ir

O país, sendo pequeno, goza de três tipos de climas: a estreita faixa costeira beneficia de um clima mediterrânico, nas zonas mais montanhosas é tipicamente alpino e na área restante, que inclui a capital, Ljubljana, é continental, caracterizando-se este último por verões quentes e invernos frios. Em teoria, a Eslovénia pode ser visitada em qualquer altura do ano mas é importante ter em conta que as maiores precipitações ocorrem nos meses de Verão e de Outono (nos Alpes eslovenos são mais abundantes), enquanto os meses mais secos são, por norma, os de Janeiro, Fevereiro e Março. As áreas mais montanhosas recebem neve ao longo de três/quatro meses e, caso pretenda viajar fora desta estação (não menos encantadora), o ideal será fazê-lo entre Maio e meados de Outubro, altura em que as temperaturas médias andam à volta dos 20 graus.

Informações

Para visitar o país, os cidadãos portugueses apenas necessitam de apresentar um documento de identificação (passaporte, cartão de cidadão ou bilhete de identidade).

Muitos dos castelos situam-se próximos de Ljubljana mas não será má ideia passar uns dias em Bled e em Maribor – em qualquer um deles não terá problemas em encontrar restaurantes e hotéis.

O esloveno é, desde a independência da antiga Jugoslávia, a língua oficial do país - mas uma grande parte da população domina o inglês, o alemão e o italiano.

A moeda é o euro.

Fonte: Fugas

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Eslovénia, uma agradável surpresa

A Eslovénia, carinhosamente apelidada de galinha dado o formato do seu mapa, surgiu nos planos de circuito de autocaravana exactamente pela localização junto à fronteira com a Itália. E veio a revelar-se um destino diversificado e atraente.


À entrada do país o impacto é verdejante com alguns pico de igrejas na envolvência. O destino inicial passaria por Postojna e as suas grutas. Descobertas no século XIII, só começaram a ser exploradas em cerca de 1800, tendo aberto ao público em 1819 por Franz I, imperador da Áustria. São cerca de 24 quilómetros de gruta, dos quais se percorrem cerca de cinco.
O mais interessante é que o percurso é maioritariamente realizado de comboio subterrâneo e podemos ver enormes estalactites e estalagmites e uma sala de concertos com óptima acústica e capacidade para cerca de 10.000 pessoas. Habita também a gruta uma espécie de salamandra, o "Proteus", que segundo os eslovenos será um dragão bebé e pode viver até um ano sem se alimentar.
A cerca de 10 quilómetros de Postojna localiza-se o castelo de Predjama, que é uma espectacular construção medieval, construído numa gruta em cima de um penhasco, algo muito diferente do padrão europeu e majestoso. Este castelo é construído sobre um sistema labiríntico de grutas também elas visitáveis. O castelo possui um pequeno sino que, segundo a lenda, se poderá tocar pedindo um desejo que será realizado.
Num sábado, dia de mercado, uma miscelânea de cores, aromas e frenesim maravilhoso povoava o mercado central de Ljubljana. Mas a atracção principal da capital é o seu castelo  construído no topo de uma linda colina. Possui um elevador panorâmico para alcançá-lo e na subida à torre pode ver-se cerca de um terço da Eslovénia. Fizemos uma visita muito interessante, com guia e personagens vestidas à época . A capital da Eslovénia é uma cidade jovem, fresca e frequentada tanto por locais como por turistas de forma descontraída. Os dragões estão por todo o lado e a gastronomia revelou- se muito saborosa com as suas sopas ricas acompanhadas das salsichas apetitosas entre outras iguarias.
Por fim, Bled, e o seu lindíssimo lago, ilha no centro com uma belíssima igreja também com um sino dos desejos, apenas alcançável de relaxantes barcos atracados nas margens e o lindíssimo castelo graciosamente colocado num penhasco em redor.
Um destino a não perder, pois enriquece a alma!
Fonte: Fugas

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Noirmoutier, o que é que esta ilha tem?

Tem uma aura especial, praias semi-adormecidas, produtos de excepção e Alexandre Couillon, um chef de terroir talentoso e persistente que conta com duas estrelas Michelin. Ah!, e também tem, agora, um episódio Chef’s Table que documenta a relação entre ambos.


Quando David Gelb se senta ao nosso lado na mesa do restaurante La Marine, em Noirmoutier, não consegue evitar o contentamento: “Uau, finalmente estou aqui!” Gelb é o autor da aclamada série documental Chef’s Table, cuja terceira temporada, inteiramente dedicada a cozinheiros franceses, acaba de estrear na Netflix. O nova-iorquino, de 33 anos, não realizou o episódio dedicado ao chef local Alexandre Couillon, mas acabara de o editar e estava desejoso de observar in loco tudo o que vira no ecrã.

Noirmoutier é uma ilha pacata meio parada no tempo. Situada na região do País do Loire, na costa atlântica francesa, a sua paisagem natural e o aspecto cuidado e discreto do casario dão-lhe uma aura especial. Talvez porque o local se afaste da ideia comum que temos de uma estância balnear. Por aqui não há grandes hotéis, nem o turismo de massas associado. E ainda que a população (com pouco mais de oito mil habitantes) aumente exponencialmente em Agosto, o local mantém uma certa pacatez e um ambiente familiar.

A ilha é plana e pequena (45km2) e a paisagem uma recompensa que convida a pedalar. Por isso não é estranho que se dê maior uso à bicicleta em detrimento do carro e, não raras vezes, com a família atrelada. Aliás, este é o meio de transporte ideal para vaguear por vilarejos, atravessar campos e os seus canais, as salinas, o Bois de la Chaize, o pontão da Reserva Natural de Mullembourg ou uma das graciosas praias de areia fina e mar sereno azul. Em termos geográficos, estamos quase na costa oposta ao Mediterrâneo, embora a temperatura (incluindo a da água), a cor do mar e as casas de paredes brancas e telhados de tijolo, aproximem os dois territórios. Ou, pelo menos, mais do que poderíamos imaginar.

Da terra e do mar


Sabendo o propósito da viagem, o jovem motorista que nos conduz do aeroporto de Nantes ao nosso destino surpreende-nos com um conselho. “Não deixem de provar as batatas de Noirmoutier.”

Já no quarto do hotel, ao procurar restaurante para jantar num guia gastronómico local, lá encontro a menção especial à “mais marítima das batatas”, entre uma dúzia de especialidades e produtos de referência regionais. Ao que parece, os solos arenosos adubados com as algas recolhidas na maré baixa conferem ao tubérculo uma característica peculiar: o sabor ligeiramente salino. Entre as variedades cultivadas na ilha, destaca-se a la bonnote, tão valiosa e apreciada que o guia alerta para que se verifique a existência do logótipo da cooperativa agrícola local na embalagem, não vá estar-se a comprar uma imitação. É que a “Rolls Royce” da terra de Noirmoutier é recolhida apenas durante uma dezena de dias, em Maio, e o seu período de conservação é curto.

A noroeste da ilha, em L’Herbaudière, encontramos o principal porto de pesca local. Em tempos foi um grande centro da indústria conserveira de sardinha. Todavia, a escassez deste peixe encerrou o negócio e, hoje, os 60 barcos de pesca existentes dedicam-se, sobretudo, à apanha de variedades nobres, como o robalo, a dourada ou o linguado, e ainda a lagosta ou o lavagante.

Um pouco por todo o lado vêm-se placas toscas a anunciar a venda de ostras. Os registos revelam a sua introdução na área no inicio do século XIX, mas a actividade começou a desenvolver-se sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. De sabor elegante e levemente iodado, as ostras de Noirmoutier apresentam uma tonalidade azulada, devido à micro-alga blue navicula que se desenvolve na zona. Estas ostras são “semeadas” no seu habitat natural, em redor da ilha, onde permanecem durante três anos. Depois desse período retiram-se para valas e passam à fase de maturação, sendo afinadas de acordo com as características pretendidas por cada produtor. Todos os anos saem de Noirmoutier cerca de mil toneladas do molusco. Contudo, este é ainda um trabalho com uma forte componente artesanal, tal como acontece com a actividade levada a cabo nas salinas de onde se extrai a delicada e clara flor de sal, rival da famosa vizinha de Guérande.

Comida simples

A consulta do guia de restaurantes locais leva-me para o centro histórico de Noirmoutier-en-L’Île, a principal localidade. É quinta-feira e, apesar de estarmos em época alta (Julho), são vários os restaurantes fechados. É o caso do Le Cass’poï, junto ao castelo, que oferece uma cozinha de mercado despretensiosa com produtos de temporada.

Procuro um lugar simples, dado querer guardar-me para a cozinha de Alexandre Couillon, do La Marine, no dia seguinte. A uma centena de metros dali, um pequeno bistrot, o Le Petit Blanc, dá sinais de vida. Ainda é cedo. A França joga nessa noite contra a Alemanha a possibilidade de disputar a final do europeu contra Portugal e, talvez por isso, consigo um dos poucos lugares disponíveis. O lugar serve comida lionnaise e é sem dúvida um bistrot: espaço apertado e aconchegante; ele na cozinha e ela na sala; menu fixo, escrito na ardósia, com seis ou sete propostas (para pedir duas ou três) e vinho da casa. Escolho a terrina de fígado de porco com pistácios e molho bearnaise, de entrada; um filete de dourada com gratinado de beringela como prato principal e o gâteau lyonnais et son coulis d’abricots de sobremesa. Bolo esponjoso com calda de açúcar e amêndoa, pera e molho de alperces, combinam? Sim, bastante. Tal como a experiência no geral. No fundo, era o que pretendia nessa noite: comida simples, bem elaborada e com sabor, vinho a jarro potável e serviço diligente. Tudo por menos de 30 euros.

Deixo o restaurante e pedalo até casa, ainda com tempo de sobra para parar num café. Acompanho um pouco do jogo, mas o local está lotado e faço-me ao caminho antes de terminar. A meio do percurso, soam foguetes de alegria. A França está na final. Que pena não ficar para ver esse jogo...

Couillon e a ilha no prato

As actividades ligadas à terra e ao mar, bem como o turismo, têm ajudado a reter uma boa parte da população de Noirmoutier durante todo o ano. É o caso dos Couillon.

O pai fora marinheiro e pescador e a mãe costureira. Quando Alexandre tinha seis anos, a família comprou um café a que chamaram La Marine. Abriam apenas no Verão e serviam pratos para turistas: peixe, marisco e tarte de maçã. Eram pratos bem simples, reveladores de que a mudança de vida dos progenitores tinha sido mais uma oportunidade surgida do que propriamente uma vocação.

Alexandre Couillon viveu na ilha toda a sua infância e boa parte da adolescência de uma forma muito livre, “como um Tom Sawyer”. Estudar não era a sua praia, o que o levou cedo, com 17 anos, a procurar um emprego de forma a canalizar toda a sua energia. Acabou por bater à porta de um chef bretão que lhe ensinou o ofício e lhe deu disciplina. Foi esse o momento da viragem, o momento em que decidiu que era aquela a direcção que queria tomar.

Um dia, estava a trabalhar na cozinha de Michel Guerárd, em Eugénie-les-Baines (o Les Prés d’Eugénie, três estrelas Michelin), quando recebeu uma chamada. Era o pai. Queria dizer-lhe que estavam a pensar vender o La Marine, mas que se quisesse poderia ficar com o restaurante. A sua reacção imediata foi dizer que não, uma vez que pretendia continuar a evoluir ao lado de grandes chefs. Contudo, ficou a matutar sobre o assunto e, com a insolência própria de quem tinha pouco mais de vinte anos, começou a pensar que aquela talvez fosse uma boa ocasião para se afirmar e, quem sabe, colocar Noirmoutier no mapa gastronómico. Fez então um pacto com a sua mulher, Céline, natural da ilha como ele e namorada desde os tempos da escola. Ficariam durante sete anos. Se passado esse tempo não resultasse, pegava nas coisas e procuraria emprego noutro restaurante. Assim foi. Ligou ao pai e seguraram o restaurante. Porém, não tinham grande noção no que se tinham metido. O francês queria fazer uma cozinha de autor mas Noirmoutier não era um destino gourmand e, após o Verão, os turistas desapareciam. Como se não bastasse, Couillon sentia-se perdido, sem um rumo a seguir.

Apesar das dificuldades, o restaurante foi-se impondo, ainda que tenuemente. Continuavam a trabalhar que nem uns loucos, sobretudo fora da estação alta, quando o staff era reduzido ao mínimo. Tinham passado seis anos e estavam prestes a desistir. Porém, quando se aproximavam do período limite chegou a boa notícia: o guia Michelin acabara de lhes atribuir uma estrela.

O galardão permitir-lhes-ia respirar, mas Alexandre Couillon não estava contente com a sua cozinha e começou a questionar-se. Achava que o que estavam a fazer era muito clássico, queria repensar tudo e ter uma proposta mais contemporânea e criativa.

Uma das decisões que tomaram foi a de construir um novo espaço, sendo que o antigo mudaria de nome, passava a chamar-se La Table d’Elise e teria uma proposta mais tradicional e acessível. Todavia, continuava a faltar uma ideia central para a cozinha do novo La Marine. Surgiam pratos novos, mas alguns deles confusos, com muitos ingredientes. Couillon continuava insatisfeito. Havia que simplificar e encontrar um caminho. Até que um dia, um erro feliz mudou tudo. Pedira a um estagiário que fizesse um caldo de lula mas esquecera-se de lhe dizer que deveria retirar a tinta, o que acabou por dar origem a um caldo intenso e escuro. Ao olhar para o resultado, o chef francês teve uma espécie de epifania: começou a lembrar-se do derrame do petroleiro Erika, um caso dramático que anos antes acontecera na ilha, com graves consequências nos recursos marítimos da área.

Couillon pegou no caldo, reduziu-o até criar um molho denso e deitou-o sobre uma ostra. Chamou-lhe “ostra negra Erika”. A combinação agradou-lhe, quer em termos de sabores, quer visualmente. Estava encontrado o caminho: criar e confeccionar pratos mais simples, com ingredientes locais e que contem a história da ilha. Em 2013, o La Marine conquistou a segunda estrela Michelin e Noirmoutier entrou no mapa.

À mesa do La Marine

A ostra Erika teria de ser um prato obrigatório no almoço entre a imprensa e David Gelb. De facto, trata-se de uma proposta extraordinária. Na sua apresentação minimalista (negro sobre branco), na textura densa (molho) e delicada (ostra) e no sabor intenso, mas elegante. Tinha sido precedida de outro prato brilhante, “conchas e crustáceos a bordo”, um caldo perfeito com os melhores mariscos que se apanham nas águas da região. Como se não bastasse, ainda chegou à mesa um lavagante grelhado, com cenoura e capuchinha. Porém, Alexandre Couillon também possui grande afinidade com peixes ditos menos nobres da zona, como é o caso da cavala — que comemos fumada e servida numa espinha limpa e ainda (triturada) em “trufa” com café —, ou do badejo de textura delicada, que nos serviu com curgete, melão e leite de cabra.

Os produtos da terra são igualmente a sua grande paixão, ou não tivesse uma horta própria que fornece ao restaurante quase tudo o que precisa. Não é a época da la bonnote, mas a batata teria obviamente de estar presente no menu, fosse numa textura cremosa, num dos snacks iniciais, ou como acompanhamento de uma pintada. Outro vegetal que merece a preferência de Couillon é a beterraba. No almoço tivemos direito a ela como elemento principal de numa pequena tartelette e, também, como acompanhamento de uma lula de textura e sabor exemplares.

Os pratos do chef francês seguem a linha evolutiva de uma cozinha mais naturalista centrada no produto e não tanto na técnica. Quer dizer, a técnica e uma certa complexidade estão lá, mas não para serem exibidas na cara do cliente. A parte doceira segue o mesmo conceito de união com a ilha. Por exemplo, uma das sobremesas, “balada no Bois de la Chaize”, é uma representação do bosque local, com um gelado que leva resina de pinheiro, servido sobre “musgo” (sponge cake) de chá verde e “terra” de chocolate.

Na conversa com David Gelb (ver texto nestas páginas), o autor de Chef’s Table refere que um dos critérios para fazer parte da série se prende com a personalidade do chef e de uma boa narrativa que este tenha para contar. Alexandre Couillon tem essa história e coloca-a no prato com mestria. A mesma mestria com que Gelb e a sua equipa a servem no ecrã.

GUIA PRÁTICO

Como ir

Tanto a TAP como a Transavia voam regularmente para Nantes. Daqui a Noirmoutier distam 77km, que se percorrem de carro em pouco mais de uma hora ou de autocarro em 1h40. Na ilha existem alguns transportes públicos, mas a bicicleta é o meio ideal de locomoção.

Onde dormir
Não há grandes hotéis de luxo ou de cadeias conhecidas, mas há vários lugares confortáveis e com um certo charme, como o Ancre Marine, o La Chaize ou o La Villa en l’Île.

Onde comer
O La Marine (5 Rue Marie Lemonnier; tel.:02 51 39 23 09) é sem dúvida o principal restaurante da ilha. Contudo, para além deste duas estrelas Michelin, a ilha conta com um conjunto de pequenos restaurantes de cozinha simples e preço mais acessível que servem produtos da região.

A Fugas viajou a convite da Netflix

Fonte: Fugas

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Doze spas nacionais trazem Ouro dos World Luxury Spa Awards

Os World Luxury Spa Awards 2016 premiaram 12 spas portugueses. O Sayanna Wellness do EPIC SANA Algarve foi o mais distinguido, vencendo nas categorias “Global Winner – Luxury Fitness Spa” e “Luxury Resort Spa – Portugal”, bem como o Grande Prémio “Overall Global Winner”.


O Conrad Algarve foi também um Global Winner, mas em “Luxury Country Spa”. Quanto aos vencedores de âmbito europeu, foram premiados o CitySpa Lisbon (“Luxury Day Spa”), o Vidago Palace Thermal Spa (“Luxury Mineral Springs Spa”) e o Gspa do Altis Grand Hotel (“Luxury Emerging Spa”). A este último foi ainda entregue o troféu de melhor “Luxury Fitness Spa” de Portugal.

No âmbito nacional foram igualmente premiados o Ayurveda cure center by Birgit Moukom (“Best Spa Manager”), o Sayanna Wellness do Myriad by SANA Hotels (“Luxury Boutique Spa” e “Luxury Urban Escape”), o Spirito Spa do Sheraton Lisboa (“Luxury Day Spa”), o Magic Spa do Pestana Park Hotel and Casino (“Luxury Destination Spa”), o spa do Porto Bay Liberdade (“Luxury Emerging Spa”), o Bspa by Karin Herzog do Altis Belém (“Luxury Hotel Spa”) e ainda o Stone Spa (“Luxury Wellness Spa”).

Os World Luxury Spa Awards são entregues com base na qualidade de instalações e serviço prestado pelos hotéis, sendo que o tamanho das propriedades não tem qualquer peso nas fases de nomeação e votação. Entre os objetivos destaca-se a celebração do serviço de excelência, encorajar a competitividade na indústria hoteleira de luxo e alertar para o valor e importância da prestação de um serviço de qualidade aos hóspedes.


Fonte: Welcome

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O trivago escolheu os 10 melhores hotéis boutique de Portugal

Os hotéis Bela Vista (Algarve), Praia Verde (Algarve) e Fortaleza Do Guincho (Lisboa) integram, por esta ordem, a lista dos 10 Melhores Boutique Hotels de Portugal, elaborada pelo trivago.



Trata-se de espaços exclusivos, com grande caráter e individualidade, pautados pelo luxo, destaca este motor de busca de hotéis, que atribui o 4.º, 5.º e 6.º lugares, respetivamente, ao Cascade Wellness & Lifestyle Resort (Lagos), ao Areias do Seixo (A dos Cunhados) e ao LX Boutique Hotel (Lisboa).

Quer esteja à procura de um local charmoso no centro da capital, junto às praias ensolaradas do Algarve, nas icónicas margens do Rio Douro ou mesmo na pitoresca Ponta do Sol, na Madeira, todos estes hotéis gozam de incríveis vistas, sublinha.

O Top 10 dos boutique hotels do país fica completo com o Tivoli Hotel (Lisboa, 7.º lugar), Farol Design Hotel (Cascais, 8.º), 1872 River House (Porto, 9.º) e Hotel da Vila (Madeira, 10.º).


Fonte: Welcome

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dez grandes viagens estrada fora

Tire férias e faça-se à estrada para dez das grandes viagens de carro que pode cumprir pela Europa a partir de Portugal.

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1. Porto-Amesterdão: A rota dos impressionistas

São pouco mais de 2000 quilómetros, mas convém fazê-los com tempo e vagar, porque pelo meio tem muito que ver. Sugiro que siga a rota do Douro até Valladolid ou à bela cidade de Burgos. Depois aponta a sua montada ao País Basco francês e a Biarritz.
Como Bordéus está a caminho e passa pela mais famosa região vinícola do mundo, vale a pena demorar um pouco e visitar alguns dos célebres châteaux. A viagem pelo Centro de França e pelas suas regiões mais campestres continua a ter um apelo único: cidades como Poitiers, Limoges, Tours, Orléans e até Bourges devem fazer parte do seu itinerário até à Cidade Luz. 
Ir a Paris e não ficar lá a perder tempo nos bistrots, no Quartier Latin ou nalguns museus é mesmo um enorme desperdício de tempo de qualidade na vida. Entregue dois ou três dias à joie de vivre parisiense antes de rumar ao Norte de França e às Ardenas. Na Bélgica, programe a sua rota mais junto à costa, com Brugges e Antuérpia a merecerem paragem e visita atenta. Finalmente, desça abaixo do nível do mar e percorra a costa dos Países Baixos até Amesterdão – aí, já sabe, faça o que lhe der na real gana…
Distância: 2025 km
Tempo de viagem: 22 horas
Custo estimado: 271 €
Percurso recomendado: Porto- Valladolid- Burgos - Biarritz - Bordéus - Tours - Paris - Antuérpia – Amesterdão

2. Lisboa-Budapeste: Nas botas de Napoleão até ao império austro-húngaro

Uma longa viagem até ao coração do império austro-húngaro, subindo pela Península Ibérica no trilho das invasões napoleónicas para depois franquear os Alpes como Aníbal, “O cartaginês” e os seus elefantes, apontando a Viena para a marcha final sobre Budapeste. 
Deve ir saboreando a viagem e parando em Leão e Castela até ancorar em Biarritz. Depois, uma pequena etapa pelas vinhas da região de Bordéus, para cruzar as belíssimas paisagens do centrão de França, com passagem em Clermont Ferrand e paragem obrigatória em Lyon, capital da nouvelle cuisine
Segue-se a Suíça dos cantões, chocolates, belos lagos e dos imponentes Alpes, feitos pela encosta norte. Breve incursão à Alemanha para comer umas salsichas e beber uma boa cerveja bávara em Munique, retemperando forças para a etapa final até Viena, a musical, cara e monumental capital da Áustria. Finalmente, a viagem pelos vales verdejantes de Música no Coração até à capital dos magiares – a bela Budapeste, onde um banho quente nas termas é o melhor prémio para quem corta a meta. Uma road tripcheia de história, belas aldeias, monumentais cidades, estradas cénicas e paisagens deslumbrantes.

Distância: 3074 km
Tempo de viagem: 31 horas
Custo estimado: 445 €
Percurso recomendado: Lisboa - Valladolid - Biarritz - Bordéus - Lyon - Genebra - Zurique - Munique - Viena – Budapeste

3. Barcelona-Bilbao: Com o mar sempre à janela 

Esta não começa exactamente em Portugal, mas faz toda a costa da Península Ibérica. É uma espécie de “costa à cuesta”. Desde a mediterrânica, quente e festiva cidade condal de Barcelona até ao frio mar da Cantábria e à capital dos bascos. Pelo caminho percorre-se toda a costa sul de Espanha pela auto-estrada do Mediterrâneo que dá acesso às famosas estâncias turísticas, mas também a cidades e vilas pitorescas, como Almeria, por exemplo. Paragem obrigatória para visitar o deserto de Tabernas e os estúdios onde foram gravados inúmeros western-spaghettis
Depois mantém-se o mais próximo possível da costa até Cádiz e Huelva para entrar em Portugal pela Via do Infante até Faro. Um passeio de barco pela ria Formosa e uns mergulhos para ganhar forças para subir pela costa vicentina de Sagres a Sines, com paragem para um lanchinho de percebes em Vila do Bispo. Mais dois dias para percorrer a costa portuguesa em ritmo acelerado, porque aqui pode ir facilmente em qualquer altura do ano. 
Adeus a Portugal em Caminha, para percorrer a costa da Galiza, com paragens obrigatórias em Vigo e na Corunha. Delicie-se com as paisagens fantásticas das estradas costeiras e com os mariscos galegos, a merecer peregrinação. Finalmente, cumpre-se a rota do Cantábrico, primeiro com uma paragem na vibrante e magnífica cidade de Oviedo, a jóia das Astúrias, para finalmente entrar em território basco com visita ao Guggenheim de Bilbao e final de jornada na burguesa San Sebastian. Não tente fazer esta no pico do Verão, porque se vai arrepender. Junho é uma boa aposta.
Distância: 2962 km

Tempo de viagem: 36 horas

Custo estimado: 356 €

Percurso recomendado: Barcelona - Valência - Almeria - Cádiz - Faro - Sines - Lisboa - Caminha - Vigo - Corunha - Oviedo - Bilbao - San Sebastian


4. Serra da Estrela-Alpes: E passagem pelos Pirenéus

Uma viagem para quem não tem vertigens e gosta de ziguezaguear por estradas de montanha. Da serra da Estrela aos Alpes com passagem pelos Pirenéus. Uma road trip de Inverno, mas que também pode ser feita na Primavera ou até no Verão, onde a altitude dá frescura. 
Com partida do ponto mais alto de Portugal continental, a Torre da serra da Estrela para efeitos simbólicos pode traçar uma recta pela grande Mancha e pernoitar em Zaragoza para depois iniciar a travessia dos Pirenéus por Andorra-a-Velha ou por Jaca. 
Se quiser dormir uma noite nos Pirenéus, o Vale de Benasque parece um Shangri La encantado, um paraíso protegido pelos altos picos pirenaicos. Inicia depois a descida até aos médios Pirenéus franceses e à acolhedora cidade de Toulouse. Daí atravessa o Sudeste de França até ter os primeiros maciços alpinos no horizonte. Grenoble ou Lyon são boas cidades para retemperar forças e iniciar a escalada dos Alpes franceses, imaginando o esforço prodigioso dos ciclistas da Volta a França naquelas etapas para super-homens. Pode e deve demorar o seu tempo a percorrer a cordilheira dos Alpes, quer pela vertente Norte, quer pela vertente Sul. Aí a escolha é sua, ou prefere falar alemão ou francês e italiano. 
Marque o final da sua odisseia alpina para Innsbruck, cidade-planalto e que dá acesso a algumas fabulosas estâncias de esqui. Se ainda tiver energia e dias livres, mais duas centenas de quilómetros até Salzbugo merecem o derradeiro esforço.
Distância: 2404 km

Tempo de viagem: 27 horas

Custo estimado: 351 €

Percurso recomendado: Covilhã - Madrid - Zaragoza - Toulouse - Grenoble - Vaduz – Innsbruck


5. Faro – Marraquexe: África aqui tão perto

Esta não é uma road trip europeia, mas uma proposta irrecusável para ir a África e ao deserto, a uma distância muito inferior às outras rotas. Distância inferior e custos inferiores, mesmo considerando o preço do ferry boat que pode apanhar em Algeciras, depois de fazer uma etapa sem paragens a partir de Faro. 
Uma vez tratados os procedimentos alfandegários está já em solo marroquino e em África e deve aproveitar para passar a primeira noite em Tânger, cidade que foi um famoso refúgio para escritores, pintores e artistas. Pode levar no bolso o caderno de desenhos de Delacroix com as suas impressões marroquinas. A partir de Tânger tem duas alternativas para fazer a viagem até Marraquexe – ou vai pela costa, repleta de sinais da presença portuguesa, ou vai pelo interior e pelo Atlas para poder ir ver um pôr do sol no deserto. Também pode ir por um lado e vir pelo outro, desenhando assim o grande anel de viagem em Marrocos. 
Na mais movimentada auto-estrada costeira pode e deve passar uma noite em Casablanca e ir ao Rick’s Cafe que está quase como Humphrey Bogart o deixou. Depois segue até Safi e daqui sempre pela belíssima estrada costeira, com o mar na janela direita do carro. Próxima paragem obrigatória, Essaouira, cidade fundada por portugueses e uma das mais charmosas estâncias balneares do país. De Essaouira a Marraquexe são apenas três horas de viagem e pode chegar bem a horas de beber um thé à la menthe no Hotel Mamounia (o preferido de Churchill) ou uma laranjada ao pôr do sol da vibrante Praça Jemaa El Fna, Património da Humanidade. 
Mas para sentir a verdadeira atmosfera berbere de Marrocos e se deslumbrar com grandes estradas, paisagens e cidades monumentais o melhor percurso é a partir de Tânger seguir para Leste em direcção ao deserto, com paragens recomendadas na cidade azul de Chefchouaen, erguida num dos picos das montanhas do Riff. Daí aponte os cavalos às cidades imperiais de Meknès e Fez, com a sua labirintica medina a desafiar o seu sentido de desorientação. 
Para ter um “cheirinho” do deserto deve reservar dois dias para visitar as fantásticas dunas do Erg Chebbi e daí seguir para sul e para Ouazarzate pela estrada que vai passar pela incrível garganta do Todra. Em Ouazarzate, depois de visitar os estúdios de cinema onde foram gravados grandes épicos de Hollywod, segue-se a transposição do Atlas, numa viagem desafiante e que exige toda a atenção do mundo, já que conduzir em Marrocos é só por si um desafio. A rota dos kashbahs vai levá-lo a belas cidades como Ait Benhaddou, onde foram filmadas cenas de O Gladiador, para finalmente chegar à cosmopolita e esfuziante cidade vermelha de Marraquexe. 
África aqui tão perto. Do que está à espera?


Distância: 1025 km

Tempo de viagem: 12 horas

Custo estimado: 145 € (sem ferry boat)

Percurso recomendado: Faro - Algeciras - Tânger - Chefchouaen - Fez - Erg Chebbi - Ouazarzate – Marraquexe


6. Lisboa - Nápoles: La dolce vita do Atlântico ao Mediterrâneo

Se gosta de mar e de estradas costeiras, esta pode ser a mais espectacular road trip para um Verão tórrido, desde que opte por fazer a viagem sempre junto à costa, do Atlântico ao Mediterrâneo. Percorrer o Sul de Espanha é já em si uma grande road trip. Sugiro que faça duas ou três paragens pelo caminho – por exemplo em Málaga (terra de Picasso), Almeria (terra de western spaghettis e do único deserto da Europa) ou em Figueres (terra de Dali a norte de Barcelona). Quando passar a fronteira com França continue a seguir a linha de costa até Marselha e o seu gigantesco porto e bas fond nocturno. Depois vista o seu melhor fato de linho e meta o borsalino estiloso e rume à atraente e milionária Côte d’Azur. 
Ficar em Cannes, Nice ou até no Mónaco vai fazê-lo sentir uma estrela de cinema, e só isso vale a pena. Segue-se depois a bela Itália, pela Riviera italiana, que já viu dias de maior fausto, mas que ainda assim tem todo o encanto e monumentalidade de cidades como Génova.
Deve arranjar tempo para visitar as Cinque Terre, um dos mais belos pedaços de orla costeira da Europa, com vilas piscatórias alcandoradas como presépios sobre o mar. Ir beber um Martini a Portofino também só fica bem no seu instagram.
Antes da última etapa deve saborear la dolce vita em Roma, para seguir até Nápoles. Como se dizia antigamente, “ver Nápoles e depois morrer”. Não é caso para tanto, mas se sobreviver pode sempre aproveitar para uma breve incursão à magnífica costa amalfitana e visitar as ruínas de Pompeia, como Ingrid Bergman em Viagem a Itália, obra-prima do seu marido, Roberto Rosselini. 
Distância: 2714 km

Tempo de viagem: 28 horas

Custo estimado: 410 €

Percurso recomendado: Lisboa - Cádiz - Almeria - Barcelona - Marselha - Cannes - Génova - Roma – Nápoles


7. Porto-Inverness: Do vinho do Porto ao scotch whisky

Esta é uma grande rota para os apreciadores de prazeres dionisíacos e amantes da bebida, por isso já sabe, sorteie sempre quem guia antes de cada etapa. 
A viagem pode e deve começar com um Porto de Honra nas caves de Gaia, para depois seguir o curso do rio Douro e da região vinhateira, Património da Humanidade. Mantendo-se na peugada da Ribera del Duero, em Espanha vai poder atravessar a conhecida região de vinícola da Rioja, que merece paragem retemperadora em Logroño. 
Se ficou impressionado com a beleza das paisagens e a qualidade dos vinhos, espere até atravessar a fronteira com França e passar por Bordéus. Nenhuma região do mundo produz tantos vinhos de altíssima qualidade como a cidade girondina e as suas mais de 20 sub-regiões. Pode perder por ali um bom par de dias que não dará o tempo por mal empregue. Depois segue até Le Mans ou Caen e daí até a Calais, para atravessar o Túnel da Mancha, que é sempre uma grande experiência, antes de desembarcar na velha Albion. Londres é incontornável por todos os motivos e mais algum, o que dispensa mais explicações. Depois delicie-se com as magníficas paisagens e pequenas cidades do countryside inglês até Glasgow ou Edimburgo (a escolha é sua).
Aperte bem o cinto e o kilt e prepare-se para viajar por algumas das mais belas estradas da Europa e para travar conhecimento com o lendário humor escocês. Na sua cavalgada para as Highlands pode fazer metade do chamado “anel da Escócia”, que o leva pela costa este até Saint Andrews - cidade berço do golfe - ou às mais industriais Aberdeen ou Dundee. Finalmente, suba às terras altas e visite as mais famosas destilarias do mundo, provando o famoso whisky escocês. Se provar os suficientes estará mais apto a avistar a simpática Nessie, que é como os locais chamam o monstro do Loch Ness.
Finalmente, termine a sua longa peregrinação como começou, a beber um Macallan Rare Cask num acolhedor hotel da bela Inverness – recomendo o Inverlochy Castle, para poder beber que nem um rei.
Distância: 2890 km

Tempo de viagem: 31 horas

Custo estimado: 343 €

Percurso recomendado: Porto- Logroño - Bordéus - Caen -Londres - Leeds -

Edimburgo - Aberdeen – Inverness


8. Lisboa-Moscovo: A grande transeuropeia

Que tal repetir a inédita viagem do jornalista da RTP, Carlos Fino, que em 1982 uniu Lisboa a Moscovo por estrada, mostrando que era possível “furar” a cortina de ferro? 
Esta é sem dúvida uma das grandes odisseias motorizadas que um português pode fazer pela Europa. O jornalista Filipe Loureiro fê-la, por exemplo, ao volante de um velhinho e estimado Mini, por isso não há que ter medos, apenas muito tempo e alguns rublos, porque a viagem é longa - ida e volta são mais de 10 mil quilómetros. 
Pode escolher vários itinerários, mas se quer um sabor pleno do Centro da Europa e do grande Leste, a marcha deve ser feita até Bruxelas, e a partir daí atravessar a Alemanha em direcção à Polónia ao som de Wagner. Woody Allen dizia que quando escutava Wagner lhe apetecia invadir a Polónia, faça pacificamente o mesmo. E nesta marcha é obrigatório recordar o período mais negro da história da Europa e visitar os famigerados campos de concentração nazis - Auschwitz ou Dachau.
Na Polónia pode e deve parar em Varsóvia ou, melhor ainda, na espectacular cidade de Cracóvia, preparando-se para mergulhar no profundo Leste europeu. A travessia da Bielorrússia, com magníficas paisagens e longas estradas desertas, promete ser um dos pontos altos da sua viagem, antes de entrar em território russo e desfilar vitorioso, ao som de Stravinsky, na Praça Vermelha em Moscovo. Não faça como Napoleão e Hitler e deixe o Inverno passar para se aventurar nesta grande jornada pela Europa Central e do Leste. Se for no Inverno, pelo menos leve um dos lendários gorros à Carlos Fino.


Distância: 4582 km

Tempo de viagem: 51 horas

Custo estimado: 514 €

Percurso recomendado: Lisboa- Madrid- Barcelona- Paris- Bruxelas- Berlim- Varsóvia- Minsk- Moscovo



9. Cabo da Roca- Cabo Norte: Europa de ponta a ponta



Se os americanos têm a grande Panamericana que atravessa o continente, do Alasca à Terra do Fogo, os europeus têm a rota de cabo a cabo. O desafio aqui é unir por estrada o ponto mais ocidental da Europa continental - o cabo da Roca – ao cabo Norte, na Noruega. Do ponto mais ocidental ao ponto mais a norte do continente europeu. 

O primeiro português a fazê-lo por estrada foi o decano jornalista e viajante Vasco Calixto, já nos anos 1960. Há também quem o faça de moto ou até de bicicleta, como o ciclista galego Borja Delacasa, mas não sugiro nada tão radical. 


É uma extraordinária viagem, que pede tempo e um bom punhado de euros no bolso, já que o custo de vida vai subindo nas latitudes mais a norte. Recomendo que atravesse Espanha rapidamente (está aqui ao lado e pode ir lá num saltinho mais vezes) e que faça França pelo menos conhecido interior - por Lyon e Dijon (comprar um frasquinho da famosa mostarda). 



Desta vez, e só desta vez, pode flanquear Paris (os voos para lá estão baratinhos) e seguir pela Alsácia-Lorena em direcção a Dusseldorf e Hamburgo, vibrante cidade portuária alemã com uma das mais animadas vidas nocturnas da Europa. 

A partir daqui entra em território viking e é bom que esteja preparado para a longa maratona que se segue. Se a vida nocturna de Hamburgo não faz o seu género, pare em Copenhaga, a cidade mais feliz do mundo, e vá retribuir a visita que o escritor Hans Christian Andersen fez a Portugal. Em seguida, atravesse a fantástica ponte que liga a capital da Dinamarca a Malmo, já na Suécia. 


Agora tem duas alternativas para a etapa final, e qual delas a mais tentadora. A primeira é seguir por Gotemburgo até Oslo, capital da Noruega, e daí até Trondheim e depois Alta, ou então ir pela estrada costeira do golfo da Bótnia, de Estocolmo até Skelleftea, e a partir daí inverter para a fronteira com a Noruega em direcção à distante cidade de Alta, já bem perto do Nordkapp. Pode optar por um percurso à ida e outro à vinda e assim a escolha já não é tão terrível.

No cabo Norte vai ver o mais magnífico pôr do sol da sua vida, mas atenção que por estas paragens o sol dura pouco e não vai querer nunca regressar do Nordkapp de noite, porque, garanto-lhe, é uma experiência aterradora no Inverno, que só recomendo a pilotos experimentados com a coragem de um viking e pneus com pregos como deve ser.
Distância: 5404 km

Tempo de viagem: 64 horas

Custo estimado: 634 €

Percurso recomendado: Cabo da Roca - Madrid - Lyon - Hamburgo - Copenhaga - Estocolmo - Skelleftea - Alta - Nordkapp


10. Lisboa-Istambul: Expresso do Oriente

O expresso do Oriente, mas por estrada – este é o derradeiro desafio e a grande road trip que um português pode fazer na Europa. Ligar Lisboa a Istambul por estrada, uma odisseia que muitos tentaram e poucos conseguiram. Miguel Afonso Carranca, motard e aventureiro, fez a viagem numa velha moto e sobreviveu para a contar (já a moto…). 
Esta é uma viagem que exige tempo, férias grandes e à grande e sobretudo um bom espírito de aventura. Recomendo que faça a jornada até ao Sul de França e à fronteira com Itália o mais rapidamente possível, porque essa road trip pode fazê-la mais facilmente noutra altura. 
O Norte de Itália já é outra história. Pela sombra dos Apes vá direitinho até Milão para ver como param as modas. Depois, siga até Veneza, com paragem obrigatória em Pádua e na Verona de Romeu e Julieta. 
A partir de Veneza é quando a verdadeira aventura começa, a chamada aventura balcânica, que só por si merecia uma longa e exclusiva road trip
Pode optar pela investida mais radical (e demorada) seguindo junto à costa do Adriático e percorrer a bela faixa costeira de Montenegro e da Croácia até Tirana, a colorida capital da Albânia. Pelo caminho, paragem obrigatória na histórica e flagelada cidade de Dubrovnik que ainda ostenta as terríveis marcas da guerra com a Sérvia. 
Depois, atravessa a Macedónia até Tessalónica, no Norte da Grécia, para seguir pela costa do Mar Egeu até à antiga Constantinopla, porta do Oriente, a assombrosa cidade de Istambul. 
A alternativa a este percurso, mais directa, mas nem por isso menos encantadora, é a partir de Trieste seguir até uma das mais belas e romântica cidades dos balcãs, Lujbliana, capital da Eslovénia, e tomar a A3 que o vai levar até Belgrado, capital da Sérvia, que também merece paragem. 
A partir daqui é bom que a sua linguagem gestual esteja bem afinada, porque inglês ou francês é coisa que poucas pessoas falam. Atravessar a Sérvia e depois a Bulgária até Sofia vai deixá-lo a pensar que devia ter metido um período sabático lá no escritório, tamanha a diversidade que aguça a curiosidade, mas como a vida é feita de escolhas, vá escolhendo pelo caminho até chegar a Istambul e beber um chá num dos inúmeros terraços sobre o Bósforo. Do outro lado está a Ásia e um outro mundo de aventuras para fazer, para quem tem um endiabrado Marco Polo escondido dentro de si…
Distância: 4101 km

Tempo de viagem: 43 horas

Custo estimado: 542 €

Percurso recomendado: Lisboa-Barcelona-Marselha- Milão - Veneza - Trieste - Lubjlana - Belgrado - Sofia - Istambul


Fonte: Fugas