segunda-feira, 22 de maio de 2017

Um jardim com vista para o Pacífico

É o Parque Nacional Manuel Antonio, fica na Costa Rica, acolhe 400 mil visitantes por ano e abriga um número respeitável de pássaros e de mamíferos, uma densa vegetação e praias de sonho, com areias douradas e águas azuis.

Fonte: Sousa Ribeiro, Fugas - PÚBLICO



Não gosto de visitar um lugar, mesmo que seja um parque natural, com um guia turístico. E nada tenho contra eles, respeito a sua profissão, simplesmente entendo que retiram espontaneidade à minha incursão, que me abstraem do essencial, da serenidade que espero encontrar, mesmo que nada, sem a ajuda de alguém mais familiarizado com o espaço físico e com os sons, se depare à minha frente, nem um único animal, nem uma única ave, tantas árvores cujo nome desconheço e fazem de mim um ignorante.

É mesmo assim.


Mas, ainda fora do Parque Nacional Manuel Antonio, em cuja direcção caminhara desde a aldeia homónima na presunção de que estava tão próximo, passando pela playa Espadilla Norte, aquela que os mais intímos chamam a primeira praia, com as suas areias brancas, simpatizei desde logo com Manuel Cabalceta Méndez, a desfrutar de uma pausa entre as muitas aventuras que o ocupam, dia e noite, palmilhando os trilhos do parque criado já em 1972, a verdadeira jóia do litoral pacífico que abarca dois mil hectares de terra e 55 mil hectares de água.
Hoje em dia, ser guia turístico representa muito mais do que saber dizer macaco em inglês ou em francês. É necessário conhecer a história do país a fundo, a história natural, política, religiosa, a arte, as tradições, a cultura, ser também um chef, porque não raras vezes os turistas me pedem que lhes envie um email com a receita de um bom ceviche ou de um típico gallo pinto.

As palavras de Manuel Cabalceta Méndez martelam no meu cérebro quando, finalmente, os meus passos vão pisando o trilho que, ao fim de alguns metros, me conduz a uma cascata. Percorro o sendero La catarata, não mais de 900 metros, até apreciar a água a cair, não muita, porque a época das chuvas permanece distante e regresso, logo de seguida, ao caminho que todos pisam mal entram no perímetro do parque.  

Uma certa quietude, agora que todos estão mais para a frente, permite-me reflectir sobre o país dos ticos, onde se esconde 6% da biodiversidade mundial, esse território banhado pelas águas do Pacífico e do mar das Caraíbas, um paraíso constituído por bosques tropicais, lagos, vulcões e praias que abrigam espécies vegetais e animais extraordinárias — o Instituto Nacional da Biodiversidade calcula que haverá pelo menos um milhão neste autêntico jardim zoológico tropical claramente abençoado pela natureza.


Emissão zero

Embrenho-me pelo parque Manuel Antonio mas sinto dificuldade em afastar-me da realidade do país, do facto de mais de 25% de uma área total ligeiramente superior a 50 mil km2 (e não mais de 4, 8 milhões de habitantes) ser declarado Reserva Nacional, o que corresponde a uma das mais elevadas percentagens mundiais. Por momentos penso naqueles que, erradamente, buscam na Costa Rica ruínas pré Colombo ou vestígios de cidades coloniais; o património do país é a força da natureza, uma Arca de Noé em todo o seu esplendor — não há, na América Central, outro país que proporcione tantos mimos, com tanto esmero, ao meio ambiente.

Sigo em frente, ao longo do trilho El Perezoso, e a presença de um preguiça, trepando vagarosamente pelo tronco esguio de uma árvore, faz desde logo justiça ao nome; depois desvio-me para o passadiço construído há dois anos, correndo quase paralelo ao trilho e muito mais tranquilo. Por entre a ramagem espessa, avisto um tucano com tonalidades azuis e amarelas — aviso aqueles que se aproximam, como quem desempenha o papel de guia, substituindo Manuel Cabalceta Méndez.

Aqui e acolá penso nele, nas suas palavras sábias.

- Claro que o turista que visita a Costa Rica vem com a intenção de fazer turismo natural, ecotours, actividades de aventura, espairecer. Se quer ver Cadillacs antigos e beber mojitos escolhe Cuba como destino. Há muitos animais, belos e interessantes, na Costa Rica mas mais de 90% dos meus clientes, ao longo das minhas caminhadas guiadas, espera ver um preguiça ou um macaco — são, sem dúvida, independentemente da idade dos turistas, os animais mais populares.

- Temos o turista sério e exigente, que sabe o que quer, o turista descontraído sem grande interesse científico, que apenas quer apreender um pouco da nossa cultura e das nossas tradições, e o turista que simplesmente não sabe em que país está, que nada sabe da geografia mundial ao ponto de me perguntar em que ilha estamos.


Varanda com vista

A Punta Catedral foi, em tempos, uma ilha mas está ligada ao continente por uma estreita faixa que separa duas praias, a Espadilla Sur e a Manuel Antonio. Bem perto destas, está um miradouro que as árvores, com as suas copas altas, pouco deixam ver, a não ser um pássaro ou outro, mais o céu azul — quando desço encontro um macaco que se esconde atrás de uma das vigas de cimento sobre as quais está construída a torre de observação e exibe-se por instantes, em frente a um telemóvel que o eterniza; logo depois, mostra-se indiferente ao interesse dos curiosos, enquanto outros, caminhando sobre o trilho que corre junto à praia, vão lutando em cima da areia que se levanta, motivando mais e mais fotografias.

As ondas do mar chegam arrebatadoras, não há nelas qualquer manifestação dócil, arrastam a areia na sua cavalgada e, para o outro lado, batem com força sobre os rochedos, lançando um lençol de espuma que sobe no ar; caminho, a maior parte das vezes entregue à minha solidão, e avisto ao longe a praia por onde passara, às primeiras horas da manhã, território de surfistas e de alguns casais que se estendiam nas suas camas dispostas sobre as areias, fitando pequenas ilhas recortando-se naquele mar infinitamente azul, aqui e acolá sobrevoadas por pássaros que riscavam o céu. O parque Manuel Antonio tem, na verdade, visitantes a mais, mas tem, da mesma forma, algumas das praias mais bonitas do mundo — difícil é, por vezes, compreender por que designam a Espadilla Sur como a segunda praia, a playa Manuel Antonio como a terceira, a playa Puerto Escondido (a de mais difícil acesso) como a quarta, finalmente, no meio de toda esta confusão, a Playita (mais procurada pela comunidade homossexual, que de há muitos anos a esta parte vê Manuel Antonio como destino de sonho mas também porque a homossexualidade foi descriminalizada na Costa Rica já na década de 1970) como a quinta. São cinco praias, o melhor mesmo é não as contar, como fazem alguns, começando pela Espadilla Sur, o que provoca desde logo um certo desassossego nos seus cérebros, que apenas deviam estar disponíveis para admirar a magnificência de um lugar pouco dado a números.



Quando deixo o trilho principal, hesitando na bifurcação, opto pelo que parte à minha direita, iniciando uma descida pouco íngreme que dentro em breve se abre para o mar, para águas onde não tardo a mergulhar antes de estender a minha toalha sobre areias douradas, testemunhando o clamor das vagas ou simplesmente observando aqueles que, na sua errância pausada, deixam marcas sobre a areia húmida, com um olhar sonhador que me faz adivinhar que provavelmente nunca estiveram em lugares tão bonitos como este que lhes serve de cenário.

Fico feliz por eles. E por mim, pela panorâmica que me é dada a contemplar.

Caminho um pouco mais, quase sempre em silêncio, mas expectante, atento, fitando as árvores que sobem no céu de um azul puro; cruzo-me com um ou outro casal, aqui e ali avisto um animal, detenho-me e incito-os a observarem, mesmo que a minha missão se revele por vezes difícil, até que acabo por seguir o meu trajecto que me leva, daí a pouco tempo, até uma espécie de varanda de onde avisto o mar em toda a sua beleza, ao mesmo tempo que, em baixo,  sob o penhasco que cai na vertical, escuto o rugido das águas, quebrando-se com impaciência contra as rochas, como música para os meus ouvidos que não escutam, daí a pouco, o lento rastejar de um lagarto que, em cima de uma pedra, ao sol, abre a sua boca como alguém que pretende, de uma só vez, abarcar toda a beleza do lugar, como se aquele fosse um momento único, sublime, incapaz de se repetir por muitos anos que a vida, como o mar que continuo a avistar, se perfile no horizonte.

Servindo-me de outro trilho, subindo uma vez ou outra, vendo o sol filtrando-se por entre os ramos das árvores, chego à praia onde os turistas se banham, onde outros se abrigam dos raios fortes do sol, onde alguns, ainda, se divertem observando os macacos que estão mais interessados no conteúdo dos seus sacos do que em serem fotografados ou apreciados nas suas acrobacias — afinal, o mundo é mesmo assim, cada um, consciente ou inconscientemente, faz aquilo que mais lhe interessa. 

Faço o caminho de regresso, quase não há turistas a esta hora, o parque parece-me mais belo do que nunca, entregue a si próprio, à sua beatitude; agora, porque o dia avança, não há animais, nenhum guia me poderia apontar um, talvez me pudesse indicar apenas o nome desta ou daquela árvore, fazer com que levantasse o olhar e lhe agradecesse.

É mesmo assim, pura vida! A TravelTailors já lá esteve com os nossos clientes, que não puderam deixar de recomendar este destino! Veja só o que já preparámos para a Costa Rica



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Laos: a floresta canta mais alto que a modernidade

À noite, Huay Xay não tem vivalma nas ruas. Com o raiar do dia, vê-se que a cultura local foi invadida pela modernidade de um turismo recente. A modernidade procura conciliar-se com a flora e fauna locais e oferecer aos turistas mais aventureiros a oportunidade de fazer trekking na floresta, percorrer longas distâncias de zipline e dormir numa cabana a mais de 40 metros de altura.

Fonte: Fugas - PÚBLICO



Huay Xay é uma pequena cidade nas margens do rio Mekong – que separa, naturalmente, o Laos da vizinha Tailândia. Para quem chega de noite, parece saída de um filme de cowboys, mergulhada na escuridão, sem vivalma nas ruas. Com o raiar do dia, emergem cores pardacentas, próprias de algumas construções inacabadas que enchem a rua principal, onde famílias inteiras moram em casas amontoadas num prédio sem fachada. Não é preciso ser o big brother para espreitar a rotina daquelas pessoas: está ali, aos olhos de quem passa.

A cultura local foi invadida pela modernidade de um turismo recente – o que resulta numa mescla algo confusa de pequenos restaurantes tradicionais com modernos cafés, que oferecem brunch aos turistas pelo preço de um almoço na Europa.

As cabanas apelam ao imaginário da infância: com raízes de Tom Sawyer polvilhadas de alguma modernidade. A maior tem três pisos. No inferior, está uma casa de banho com os utensílios essenciais: tem uma cortina a fazer de porta e, do outro lado, é aberta para a paisagem da floresta. Sob os pés, estão tábuas de madeira, com aparência sólida e com frinchas que permitem olhar até perder de vista - afinal, são 40 metros de altitude, o equivalente a um prédio com 12 andares. O chuveiro é de água fria, mas abundante. Quando cai, nas tábuas de madeira, escorre entre as frinchas e vai desaguar sobre o vazio. O ruído, exacerbado pelo silêncio da floresta, assemelha-se a uma daquelas chuvadas que antecedem a tempestade.

O piso intermédio é o mais amplo da casa. De um lado, tem um balcão, a servir de kitchenette, com água potável, e um armário com pratos, copos e talheres. Do outro, um espaço aberto que serve para dormir, em sacos-cama abrigados por pequenas tendas, e fazer as refeições, numa pequena mesa, quase ao nível do chão, ao estilo asiático.

O último piso não é – como reza a fama – o melhor. De dimensões muito reduzidas, cabem, apenas, um ou dois sacos-cama no chão. Mas é o ideal para quem gosta de ter uma boa vista.



O “canto” dos gibões

O dia está a raiar e ainda não há movimento na cabana. Um ruído, que se ouvia, ao fundo, parece ficar mais alto, mais próximo. É ritmado, quase melodioso. Talvez a embriaguez do sono confunda as ideias, talvez a falta de noção de tempo e de espaço, ali na floresta, permita que a realidade se confunda com o imaginário. Mas os viajantes poderiam jurar que ouvem… cantar. Não é uma voz humana. Não há voz, sequer. Não são trinados nem assobios como os das aves… É algo indescritivelmente bonito. Os primeiros olhos a abrir, na cabana, procuram descortinar a origem daquele som, no meio de um nevoeiro denso. De súbito, alguém sussurra: “São os gibões! Estão perto da nossa árvore! Estão a cantar.” Todas as cabeças espreitam por detrás das tendas, alguns ainda embrulhados nos sacos-cama para se protegerem da geada matinal. O grupo troca olhares cúmplices e, até, emocionados. É uma experiência única na vida. 

No Laos, não existe linha férrea e alguns aeroportos têm um funcionamento irregular. Para fazer a viagem entre Huay Xay e Luang Prabang, uma das hipóteses é ir de barco: speed boat ou slow boat. O speed boat é uma espécie de lancha, ruidosa, que atinge velocidades elevadas e pouco aconselhada aos turistas por causa das escassas condições de segurança. O slow boat é, como diz o nome, um barco lento que demora dois dias a fazer o trajecto – adequado a quem tem esse tempo disponível e vontade para desfrutar do passeio. A terceira opção é ir de autocarro: uma viagem nocturna de cerca de oito horas. À partida, parece a alternativa mais viável e confortável, mas as recomendações sobre as estradas, no Laos, não são as melhores: sinuosas, com maus acabamentos e pouca iluminação. À primeira vista, o autocarro tem ótimo aspecto: novo, aparentemente seguro, confortável, com bancos que reclinam até à posição de uma cama. Durante a viagem, é difícil dormir. As oscilações são demasiado grandes, embora não se perceba porquê. 

Luang Prabang – a cidade desperta em tons de laranja, a adivinhar mais um dia quente. Já há vida nas ruas: os comerciantes montam a feira e os monges, nas suas vestes açafrão, alinham-se, com pequenas taças na mão, para receber as oferendas dos turistas. Diz a tradição que apenas poderão comer, durante todo o dia, aquilo que lhes for oferecido – tarefa praticamente impossível tendo em conta que as taças se enchem de uma amálgama de arroz com moedas…

Luang Prabang fica no centro de uma região montanhosa, ladeada por dois rios: o Mekong e o Nam Khan. No século XIX, quando o país esteve dividido em três reinos, chegou a ser a capital até perder o estatuto para Vienciana, em 1946. A arquitectura colonial convive com a riqueza dos templos: são grandes, imponentes, dourados, mas fundem-se de tal forma com o resto da cidade que parecem surgir quando menos se espera. Só em Luang Prabang, existem 34 wats – a palavra budista para “templo” – considerados Património Mundial da Humanidade pela UESCO.



Onde o turismo não chega

O silêncio e o ruído coexistem. No alto de um monte, um templo adormecido convida ao retiro e à meditação. Na subida, uma local vende passarinhos em gaiolas para os turistas poderem soltar. Lá de cima, é possível avistar, de um lado, as margens de um dos rios, que corre lânguido; do outro, o frenesim da feira, das crianças que correm para a escola, do trânsito motorizado, que se mistura com carroças carregadas de fruta e verduras.

Luang Prabang é uma cidade grande, que arrisca perder espontaneidade por causa da invasão do turismo. Por todo o lado, existem hotéis, pensões e guest houses – um negócio ao qual muitos habitantes locais aderiram para fazer face ao aumento do custo de vida. Há restaurantes para todos os gostos e cafés ao melhor estilo europeu. As lojas que vendem excursões e souvenirs multiplicam-se. É difícil fugir das propostas para ir tirar fotografias com tigres e elefantes que os guias juram, a pés juntos, serem bem tratados, mas as imagens dos prospectos fazem desconfiar de métodos pouco ortodoxos. Também é possível visitar as cascatas Kuang Si – a cerca de meia hora de distância de tuk tuk, com água cristalina e paisagem verdejante – ou descer um dos rios de caiaque até à gruta Pak Ou – uma espécie de santuário onde estão guardadas cerca de 4000 esculturas de Buda. Pelo caminho – rio abaixo – as margens convidam a atracar o caiaque para fazer uma pausa, dar um mergulho ou apanhar sol. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

TV e cinema: os lugares mais icónicos onde já fomos sem sair do sofá

A televisão e o cinema já nos transportaram para os sítios mais inimagináveis possíveis. Mas enquanto muitos destes cenários podem ser fantasia, muitos deles são lugares que pode mesmo visitar. Traçámos um mapa dos destinos icónicos, desde os anos 50 até à atualidade. Se não ficar a desejar ser ator para passear por todos estes sets, vai ficar inspirado para uma próxima viagem! 

fonte: LonelyPlanet 


Anos 50 

Recomendamos as cenas na praia muito giras de o Sétimo Selo, na Suécia, um passeio até Roma e a Basílica di Santa Maria in Cosmedin, do filme Roman Holiday ou a Baía de são Francisco, cenário de Vertigo. 

Skane, na Suécia


Anos 60 

Um castelo que podia ter saído de um conto de fadas na Alemanha inspirou o cenário para o filme Chitty Chitty Bang Bang. De facto, foi mesmo a inspiração para o castelo do filme A Bela e Monstro, Disney, em 1959. 

Anos 70 

Khao Phing Kan deixou de lado o seu próprio nome e passou a ser conhecida pelo epíteto “A Ilha do James Bond”. E a culpa é do filme dirigido por Guy Hamilton. Nós continuamos com a certeza de que, independentemente do nome, esta ilha vale uma visita!

A "ilha do James Bond" 


Anos 80 

Silverton: ou a luz é muito interessante cinematograficamente, ou é uma localização cliché para uma típica cidadezinha abandonada. Já foi palco das filmagens de The adventures of Priscilla, Queen of the Desert e Mad Max 2. Se isto não for bem o que procura, há sempre a hipótese de visitar a Irlanda e as Falésias de Moher, onde se gravou The Princess Bride. 

Panoramica das Falésias de Moher


Anos 90 

Itália é conhecida pelas cidades de Veneza, Roma, Florença, a Costa Amalfitana e Cinque Terre. Mas o filme The Talented Mr Ripley mostrou que há beleza para além disso e levou os espetadores até Ischia, uma bela ilha no golfo de Nápoles.

Ischia, no golfo de Nápoles


O novo século

A localização de um drama gangster pode não ser o melhor sítio para ir de férias, mas com certeza que as Favelas do Rio de Janeiro filmadas em City of God podem ser o ponto de partido por um passeio no Brasil. Se prefer não arriscar, Shinjuku no Japão é um sítio giro que ambientou Lost in Translation. 

Pós-2010 

Parte do apelo de Downtown Abbey foi a celebração de uma era de regras e diferenças sociais rígidas e acentuadas entre aristocratas e serventes. Mas o drama foi bem ambientado em Hampshire, Inglaterra. E ainda que possa visitar estes lugares fantásticos em dias específicos do ano, a aristocracia inglesa e não desapareceu e a casa ainda pertence ao Conde de Carnarvon. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

O mapa que nos mostra como está o tempo

Já existe um mapa interativo que nos ajuda a visualizar onde está o bom tempo ao redor do mundo. E nós temos todo o gosto em partilhar consigo esta ferramenta. 


créditos da imagem: https://public.tableau.com/profile/ryan7046#!/vizhome/TheBestTimetoVisitAnywhereCelsius/Sheet1

O autor deste mapa disponibilizou na plataforma tableau um mapa que lhe permite pesquisar onde está o bom tempo. Basta selecionar a semana que pretende, e fornecer limites máximos e mínimos para variáveis como temperatura média, temperatura máxima e dias de chuva. E voilà, o algoritmo seleciona-lhe os destinos que correspondem ao que pediu e aparecerão assinalados com as bolinhas cor-de-rosa. 

Pode visite aqui este mapa interativo, simples, prático e bastante cômodo, esta ferramenta pretende facilitar a consulta de dados meteorológicos. Quem sabe não é assim que vai encontrar o seu novo destino de sonho! 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

As mais curiosas invenções premiadas no A' Design Awards

A A’ Design Award divulgou os vencedores de 2016-2017, com uma lista de invenções de todos os pontos do globo. Os projetos apresentados a concurso incluem áreas como mobília, packaging ou arquitetura. Apresentamos-lhe em seguida as propostas mais curiosas. 

Fonte: boredpanda.com 

O sutiã anti-roubo 


Fonte das imagens: https://competition.adesignaward.com/design.php?ID=57446


O TravelBra apresenta-lhe bolsos que lhe permitem armazenar dinheiro ou passaporte e cartões importantes. Há ainda pequenos bolsos que lhe permitem ainda ter a chave do quarto do hotel ou jóias. O sutiã não tem underwire, é anti-odor tratado e super macio. A designer do projeto é de uma antropóloga e já viajou para imensos sítios com pouca segurança e sem multibancos por perto. Pode visitar a página do projeto aqui.

A mala de viagem que anda sozinha


Fonte das imagens: https://competition.adesignaward.com/design.php?ID=55645


A Gita é veículo robot inteligente que permite aumentar as capacidades de carregamento de uma pessoa. O mais interessante neste projeto é a combinação de engenharia e performance num design único e sofisticado. A empresa-mãe do produto é a fabricante da lendária Vespa e a Gita é inspirada por esta herança. Este projeto surgiu pela análise das tendências em mobilidade e as necessidades das pessoas que não eram correspondidas. O foco do projeto é aumentar as capacidades do ser humano e não substituí-las. Pode visitar a página do projeto aqui

Entre outras invenções curiosas que foram reconhecidas temos os copos de café que indicam a temperatura, cadeiras multifuncionais que acompanham o crescimento das crianças até à fase adulta ou um secador de guarda-chuvas numa paragem de autocarros. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Top10 Destinos de Sonho para eco-turistas

O ano de 2017 foi designado com o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento pela ONU. Uma associação holandesa, chamada Destinos Verdes, estabeleceu uma lista dos 100 melhores destinos sustentáveis. Alguns deles, no entanto, estão localizados em países que estão entre os maiores poluidores, mas são conhecidos pelos esforços extensivos para proteger o meio ambiente. Trazemos-lhe o top10 destes destinos. 

Fonte: tourism-review 

Bariloche, Argentina

Bariloche, Argentina
Bariloche é um dos destinos de sonho para muitos viajantes. É uma cidade rodeada por florestas, montanhas e lagos, no sopé da Cordilheira dos Andes, na província de Rio Negro, a 1.650 km a sudoeste de Buenos Aires. É, sobretudo, uma cidade conhecida como destino popular entre os estudantes argentinos que comemoram o fim do ano escolar. No entanto, as preocupações ecológicas e ambientais não foram ignoradas em Bariloche. Os funcionários eleitos estão a fazer o possível para proteger o meio ambiente na cidade, bem como nas áreas vizinhas, atraindo turistas ecológicos e promovendo atividades como caiaque, passeios a cavalo, para-quedismo, passeios de bicicleta na monta, esqui, caminhadas e mergulho.

Bretanha, França 
Com 2.700 km de costa preservada, Bretanha é a única região em França onde o ecoturismo foi reconhecido pela Green Destination. Popular entre os turistas durante todo o ano, a Bretanha tem feito esforços para seguir um caminho de desenvolvimento sustentável ao longo dos últimos dez anos. Para isso, foram criados 1.000 km de vias verdes e trilhas para ciclistas.

Costa da Bretanha, França


Parque Nacional de Broads, Reino Unido
O parque é a casa de 300 quilômetros de cursos de água, interceptados por catorze lagos que eram nascidos da drenagem dos pântanos no leste de Inglaterra durante os tempos medievais. Passeios de barco permitem que os visitantes e eco-turistas descubram esta zona de natureza preservada na costa do Mar do Norte. Uma grande parcela é protegida por regulamentos internacionais e os habitantes trabalham ativamente para a conservação dos recursos naturais e culturais da região.

Áreas Protegidas pela região floreal do Cabo, África do Sul
A África do Sul satisfaz 90% das suas necessidades energéticas, queimando carvão de baixa qualidade, que é fonte de poluição do ar e da água. Apesar desta catástrofe ecológica, as autoridades sul-africanas estão a tentar preservar a região florestal do Cabo, lar de parques nacionais e reservas naturais que são visitadas por milhares de turistas todos os anos. É uma das regiões mais extraordinárias do mundo em termos de diversidade de plantas e um dos destinos de sonho de muitos amantes da natureza. Desde 2004, a área dos espaços protegidos aumentou 10%. Agora visto como um fator no desenvolvimento económico da região, o ecoturismo nas reservas privadas levou à criação de 4,5 vezes mais empregos do que no setor agrícola.

Great Bear Rainforest, Canadá 
A floresta tropical Great Bear é uma maravilha natural e o lar do urso de Kermode (subespécie rara do urso preto). Ao longo dum período de 25 anos, a porção de floresta protegida cresceu de 5% para 85%. Correndo ao longo da costa do Pacífico do Canadá, esta floresta é uma das últimas grandes extensões restantes de floresta tropical temperada que permanece no planeta. A sua preservação tem sido possível, em grande parte, devido aos enormes esforços feitos pela Greenpeace. Ameaçada pelas indústrias de silvicultura e mineração na década de 1990, a floresta tropical é agora uma reserva natural que atrai muitos eco-turistas.

Sanqing, China


Parque Nacional do Monte Sanqing, China 
Embora a China seja o principal emissor de CO2 do mundo, também abriga o Parque Nacional do Monte Sanqing. Foi classificado como Património Mundial pela UNESCO em 2008 e distingue-se pelo seu respeito pela natureza. Oferece uma diversidade única de pilares e picos de granito cobertos por florestas exuberantes. Este destino de sonho, cada vez mais popular, está a trabalhar ativamente para a preservação da sua paisagem excepcional, lutando para o desenvolvimento sustentável. Enquanto apenas 5% dos turistas chineses estão atualmente à procura de umas “férias verdes”, o ecoturismo está pronto para se tornar uma importante fonte de receitas nos próximos anos.

Baía Suncheon, Coreia do Sul 
Um pantanal natural, com pântanos cheios de juncos, Suncheon Bay, no sudoeste da Coreia do Sul, muda a sua aparência a cada aumento e queda das marés. As extensões de juncos estendem-se até onde os olhos podem ver e ajudam a purificar a água, o que permite que a fauna e a flora proliferem nos lamaçais. A região está totalmente protegida desde 2006 e é frequentemente promovida entre ecoturistas.

Uckermark, Alemanha
O respeito pelo meio ambiente tornou-se um critério importante para os alemãesquando escolhem o seu destino de férias. Uckermark é um bom exemplo de como se aproveita tudo o que o ecoturismo tem a oferecer. Localizada a nordeste de Berlim, esta zona é caracterizada por extensas pradarias através das quais os visitantes podem caminhar a pé ou por burro, uma especialidade da região. Os produtores regionais, os fornecedores de energia e as pequenas explorações agrícolas familiares são os principais intervenientes no desenvolvimento sustentável desta região de turismo "verde", que é também a região mais vasta e menos povoada do país.

Wadden Sea, Holanda
Na região norte da Holanda, oito ilhas formam um refúgio natural. Estes pedaços de terra, banhados pelo Mar de Wadden, só são acessíveis por ferry. A região é considerada como tendo o maior sistema ininterrupto do mundo de lamaçais e bancos de areia, que ajudam a abrigar muitas espécies de plantas e animais. Dado que as regiões que o rodeiam são fortemente povoadas, beneficia de uma protecção total. Muitos recursos humanos e financeiros são dedicados à sua boa gestão. A Holanda já tinha reputação de "país verde", mas, em 2015, inspirada por uma iniciativa pública, um tribunal holandês decidiu a favor de uma moção que instruía o Estado a exigir uma redução de 25% nas emissões de gases de efeito estufa até 2020.

Yellowstone, EUA


Parque Nacional de Yellowstone, Estados Unidos da América
O emblemático Parque Nacional de Yellowstone é uma das últimas áreas dos Estados Unidos a preservar o seu ecossistema único. Entre os seus fabulosos tesouros naturais, Yellowstone é o lar da maior concentração de geiseres do mundo. Os visitantes vêm para admirar o Grand Canyon, inúmeras cachoeiras, bem como espécies raras e ameaçadas de vida selvagem. Protegido contra interferências, a flora é mantida por processos naturais. Turistas que procuram grandes extensões de natureza selvagem adoram este destino, que é visitado por mais de 2 milhões de pessoas por ano. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Dois dias em Milão

O que fazer em Milão? Fique aqui com estas sugestões dos principais pontos turísticos da cidade da moda italiana.
Fonte: Fugas - Público, joaotiagoliveira.com
Duomo di Milano 

Duomo di Milano
A catedral de Milão é dos edifícios mais imponentes que vais ver nesta cidade. Começou a ser construída no século XIV. Com base no estilo gótico, da praça vê-se um edifício como um monte de rendilhados, enorme, branco e imponente. É impossível passar despercebido. Entrando, bate-nos o frio seco das catedrais. São todas assim. As cinco naves e os vitrais tornam-na um sítio agradável para visitar. Em torno da catedral podes passear. As ruas largas e sem muito trânsito convidam a isso mesmo — um passeio. Nem todas as zonas da catedral são grátis.

Galleria Victtorio Emanuele
Colada à praça da catedral encontras esta galeria. Cheia de lojas, algumas incomparavelmente caras, fazem desta galeria um atractivo para turistas. A arquitectura do local torna-a mui bella: as clarabóias fornecem a luz necessária e os rendilhados continuam, como que ligando com o Duomo, logo ali ao lado. O chão, lustroso e trabalhado, transporta para uma época em que apenas a alta burguesia passeava por aqui.

Galleria Victtorio Emanuele


Passeio a pé pela Via Dante até ao Castelo de Sforesco
A Via Dante é uma rua pedonal inteiramente dedicada a lifestyle. Restaurantes com esplanadas, gelatarias sensacionais, lojas e um sol de Verão que te obriga a ir pela sombra (ou a comer um delicioso gelado!). Pode ir com calma e aproveitar para descansar a mente. No fim desta rua, sugerimos uma ida ao Castelo de Sforesco. Alberga diversos museus e a entrada é paga. No entanto, é recomendável ver a famosa obra de Miguel Ângelo — a Pietà. Num dia de sol aproveite também para dar uma volta pelo exterior, visto que tem bastantes espaços verdes. 

Santa Maria delle Grazie e A Última Ceia
Nota-se que Milão é uma cidade moderna. não há muitas ruas medievais, mas bairros organizados em ruas direitas. Por isso é fácil navegar e guiar-se pelo mapa. Depois de saíres do Castelo de Sforesco, procure por esta pequena igreja e convento dominicano. Ainda são alguns minutos a pé, mas vai valer a pena. Incluída no património da UNESCO, encontras uma pintura de Leonardo da Vinci, A última Ceia. Pode recorrer a um guia para lhe explicar o significado deste quadro que foi pintado numa parede do refeitório. Durante a Segunda Guerra Mundial, depois de intensos bombardeamentos a esta cidade, foi uma das paredes que sobreviveu a este ataque dos Aliados. Para proteger esta pintura foram colocados sacos de farinha que ajudaram a conservar a pintura.

Gastronomia

Comer em Milão é um pouco mais caro do que comer em Portugal. Encontrar locais a um preço acessível para provar uma pizza, por exemplo, não é impossível. Os gelados, esses, são mais caros, mas realmente deliciosos. Pode sempre optar por um granizado que vai refrescar na mesma num dia de intenso calor.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Guia para planear a sua lua-de-mel

Antes de mergulhar de cabeça na sua lua-de-mel, verifique primeiro os itens na sua checklist de viagem, demore alguns minutos a considerar o material prático, porque a viagem dos seus sonhos não aparece magicamente por si só.

Fonte: LonelyPlanet





Na verdade, hotéis que não são assim tão bons, voos perdidos, refeições sem brilho e clima inóspito podem prejudicar significativamente uma viagem feliz, essencialmente deitando o seu dinheiro para o lixo, quase literalmente. E enquanto não podemos ler bolas de cristal ou fazer danças de chuva, podemos garantir que o planeamento adequado, sem dúvida, coloca as hipóteses a seu favor, para que possa desfrutar da escapadinha pós-casamento com que tanto sonhou.

Tempo é tudo 

Já reservou os seus dias das férias?! - agora é hora de trabalhar para gastá-los da melhor maneira possível na sua lua -de-mel. É importante pesar o tempo que atribuiu para a sua aventura contra o seu destino de escolha: tenha a certeza que a sua lua-de-mel é uma experiência inesquecível e a viagem com que sonhou a sua vida inteira! 
Um grande fator a ter em conta é a sazonalidade. A data do seu casamento já foi, provavelmente, escolhida a pensar no destino que quer para a lua-de-mel – e se não foi, devia! Grandes áreas das Caraíbas, por exemplo, são propensas a furacões durante Setembro e Outubro. Outros destinos têm monções anuais - como a Tailândia, que tem duas vagas diferentes de chuvas que varrem todo o país durante a segunda metade do ano.
O melhor mesmo é precaver-se sobre as estações altas e baixas dos seus destinos preferidos. Os preços, naturalmente, aumentam com o aumento da procura durante os meses em que o clima é mais favorável, e a época baixa, por outro lado, pode ser uma opção digna, se devidamente planeada. 



Como construir uma lua-de-mel multi-stop 

Como arquiteto da sua própria viagem multi-stop, pode querer pensar na sua lua-de-mel como um romance. Pense no início da viagem como a fase de iniciação – vai estar a adaptar-se a um novo mundo e, certamente, quer facilitar a construção da sua viagem. Acredite, é uma parte muito prazerosa mas não vai ser propriamente fácil, digamos. A adrenalina sobe-lhe com desportos de aventura ou com descobertas únicas? Planeie com cuidado: afinal, o propósito não é chegar ao fim da sua escapadinha romântica a precisar desesperadamente de outras férias! Equilibre a balança e relaxe. 



Escolher hoteís

Agora, com o seu itinerário já montado, vai precisar de marcar hotéis, que é a fase infernal para muita gente. Cada opção de acomodação selecionada deve basear-se na sua escolha de lua-de-mel. A mente humana não pode deixar de julgar, e quando chegar ao alojamento número dois não será capaz de ignorar o instinto de compará-lo ao seu alojamento na noite anterior. Assim, para se sentir como se a sua viagem está a melhor gradualmente e ficar cada vez mais perfeita (imagine-se só o que já era perfeito ficar ainda melhor!), cada hotel deve ser progressivamente melhor - ou manter a qualidade da anterior estadia - culminando no grande climax no final, que coincide com o fim da sua viagem.

Timeline para planear a sua lua-de-mel 

Um ano antes: Sonhe! Pense naquele sítio onde sempre quis ir para celebrar o seu casamento, e deixe-se inspirar por guias, revistas, sites… A imaginação é a sua melhor amiga! 
Nove meses antes: Se o orçamento é em conjunto com o do casamento, provavelmente vai saber neste momento que o budget pode limitar as suas opções. Que chatice! Mas não desespere, mais soluções vão aparecer e acredite que podem surpreendê-lo! 
Seis meses antes: Afine corretamente as datas da lua-de-mel, conjugando com os compromissos pessoais e profissionais e as particularidades do seu destino de eleição. 



Quatro meses antes (ou antes): Cimente os fundamentos de seus planos, faça scan aos bilhetes de avião, reserve os itens indispensáveis da checklist (hotéis, vistos, licenças de parques) e faça uma revisão geral à sua viagem. 
Um mês antes: A internet permite que o mundo se mova um milhão de milhas por minuto, então, uma vez que começa a contagem regressiva de 30 dias, use as suas redes socias para dar uma espreitadela a eventos futuros e tendências no seu destino! Ou então deixe-se surpreender quando lá chegar com as surpresas que estão à sua espera! 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Antelope Canyon, uma jóia a não perder

Percorríamos um terreno arenoso e irregular onde só vegetação rasteira espreitava aqui e acolá, sentados um pouco de esguelha, num jipe que mais parecia ser um quatro patas do que um 4x4 e que, nos cinco quilómetros percorridos, nos sacudiu fortemente, valendo, no entanto, o pequeno incómodo.

Antelope Canyon

Conduzido por um corpulento índio navajo, descendente desses heróis dos filmes western que alimentaram o meu imaginário na infância e sobre quem sempre nutri uma simpatia, embora a versão de Hollywood, regra geral, os apresentasse como os maus da fita, este “herói” seria também o nosso guia que nos iria mostrar o espectacular Antelope Canyon. 

No Arizona, em terras da nação Navajo que é somente a região onde se encontram os descendentes desse grande povo, agora com ocupações ligadas ao turismo, à venda de artesanato, vivendo em muito modestas casas de madeira espalhadas um pouco pelo território circundante do Grand Canyon, é onde se situa o Antelope Canyon. Uma formação rochosa em tons de argila avermelhada e estriada de tons mais claros, apresentando uma enorne fenda resultante dos caprichos da mão escultora da mãe natureza, o Antelope é uma autêntica obra de arte. 

Entrámos na fenda, percorrendo corredores muito estreitos e sinuosos, esculpidos em formas peculiares com a autoria da chuva e do vento que penetram por onde podem, deixando autênticas maravilhas para o nosso olhar. 

Por volta do meio-dia, quando a luz do sol incide, na vertical, sobre a fenda, fomos presenteados com jogos de luz, qual espectáculo de deuses oferecido a nós, simples mortais completamente pasmados. Excelentes fotos podem ser feitas por quem tenha máquina preparada para a situação, uma vez que o uso de flash aqui não é muito adequado, o que infelizmente foi o nosso caso. 

O Antelope não pode rivalizar, de modo algum, com o Grand Canyon, mas é uma pequena jóia que quem andar por estas paragens deverá aproveitar.

Fonte: Fugas - PÚBLICO

domingo, 26 de março de 2017

Novo projecto quer levar a conhecer Portugal através da Ciência e da Cultura

Ciência Viva e Fundação Vodafone acabam de lançar um programa de “turismo do conhecimento”. Projecto inclui cartão com descontos, um guia interactivo e uma aplicação móvel.

Estremoz, onde poderá encontrar um dos percursos

Os Circuitos Ciência Viva querem pôr os portugueses a conhecer o país “através da ciência e da cultura”. Uma ida à praia que acaba por proporcionar a descoberta de pegadas de dinossauros em Lagos, um passeio por Estremoz que se transforma numa viagem por pedreiras, castelos e pelo sistema solar, uma caminhada pelo centro de uma cidade que surpreende com uma arte em vias de extinção.

Para já existem 18 circuitos disponíveis, com “54 percursos e mais de 200 etapas para explorar”. Cada roteiro parte de um dos centros de Ciência Viva espalhados pelo país: Açores, Alviela, Aveiro, Bragança, Coimbra (existem dois centros, mas apenas um circuito no concelho), Constância, Estremoz, Faro, Guimarães, Lagos, Lisboa Centro, Lisboa Oriente, Lousal, Porto, Proença-a-Nova, Sintra, Tavira e Vila do Conde. O centro de Ciência Viva de Porto Moniz, na ilha da Madeira, é o único sem um circuito associado.

O novo “programa de turismo do conhecimento” inclui um cartão, um guia interactivo e uma aplicação móvel (disponível para Android e iOS). O primeiro é o epicentro do projecto. É válido por um ano para “dois adultos ou um casal e os filhos até aos 17 anos” e dá entrada gratuita nos 20 centros Ciência Viva e acesso a descontos “em mais de 100 instituições de ciência, cultura e lazer” – incluindo museus, monumentos, parques e reservas naturais, grutas, minas, jardins zoológicos e aquários, entre outros – e em entidades parceiras do projecto – como unidades de alojamento, empresas de transporte ou estabelecimentos de restauração.

A activação do cartão abre ainda portas a tudo o resto, seja através do site do projecto ou da aplicação móvel: detalhes sobre os circuitos sugeridos, mapas interactivos dos percursos, “desafios aos exploradores”, partilha das experiências vividas e acesso às tarifas promocionais. É ainda possível consultar uma agenda de actividades nos diferentes destinos, de acesso livre nas duas plataformas. O kit circuito custa 50€ - traz um cartão, um guia e um pequeno caderno de bolso.

A capital também vai acolher percursos desta iniciativa

Os Circuitos Ciência Viva são uma iniciativa daquela instituição nacional, em parceria com a Fundação Vodafone. “Sentimos que podíamos ser os catalisadores de um projecto inovador de turismo do conhecimento”, afirma Rosália Vargas, presidente da Ciência Viva – Agência Nacional para a cultura Científica e Tecnológica, defendendo que “este é um projecto de natureza sustentável” que “traz um olhar de futuro, ao mesmo tempo que valoriza a tradição e o património”.

Para Mário Vaz, presidente da Fundação Vodafone Portugal, o programa “proporciona aos utilizadores uma experiência completa e altamente criativa”, que “permite não só o conhecimento do património nacional e regional de uma forma mais clara e prática como ainda possibilita a partilha de viagens, fotografias e saberes”. “É, acima de tudo, uma forma dinâmica, pedagógica e divertida de descobrir ou redescobrir Portugal”, sublinha.

Fonte: Fugas - PÚBLICO

quarta-feira, 15 de março de 2017

Sri Lanka: uma lágrima, dez praias e mil sorrisos



A escuridão descia sobre a terra e sobre as nossas cabeças o céu nocturno de Uppuveli iluminava-se de todas as estrelas. Retalhos de uma luz ténue dançavam no rosto da mulher que se sentava à minha frente, um rosto bronzeado e sulcado de rugas como alguns dos caminhos, depois das chuvas, que me conduziram até uma casa onde, numa noite como esta, silenciosa, escuto o rumor do mar e deito de vez em quando um olhar ao casal de crianças que dividem o tempo entre os trabalhos de casa e um desenho para mim ou para a mulher de cabelo curto e olhos verdes que me faz companhia.  
- Quando casei, já tinha um filho, resultado de um acidente, de uma noite romântica numa praia para onde fôramos com o pretexto de celebrar o Midsummer, porque em Oslo não se festejava, era tudo muito aborrecido. Ele chamava-se François, escapara ao regime de Franco. Não me pergunte como, mas ele chegou à Noruega pouco antes de completar 15 anos, à procura de uma amiga que conhecera, uma funcionária das Nações Unidas.

Já antes apreendera o humor com que me relatava algumas das suas experiências de uma existência feita de múltiplas viagens. Imaginava que, depois do lado dramático de mais um relato, algo capaz de me fazer rir com vontade estaria a caminho. Como se ela, já contagiada pelo sorriso eterno do povo, personificasse a história recente do país, erguendo-se depois de guerras e catástrofes naturais.
- Ao fim de algum tempo descobri que ele tinha problemas, que bebia muito e, mais do que isso, que não podia ser um pai. Nessa altura, eu era enfermeira e, uns anos mais tarde, outra vez grávida, casei com um médico que aceitou adoptar o meu primeiro filho.
Ela esboça um sorriso que é um prenúncio das palavras humoradas que estão a chegar-lhe aos lábios.
- O meu marido era, já nesse tempo, um médico conceituado, para quem os pacientes estavam acima de tudo. Disse-me que não podia ir de lua-de-mel comigo, que não tinha tempo. No início, ainda pensei que não o devia levar a sério. Mas quando dei por mim já estava sentada num avião, a caminho da Grécia, com a minha irmã, o meu filho e grávida de outro. Ainda hoje acredito que sou um caso raro no mundo, a única mulher que foi de lua-de-mel com a irmã, um filho pela mão e outro na barriga.



Randi Nilsen passa quatro meses por ano no Sri Lanka, numa casa alugada, a meia dúzia de passos da guest house onde me encontro, em Uppuveli, e da praia que espero ver amanhã, quando o sol se levantar, aclamada como uma das melhores na região de Trincomalee e de volta aos seus dias de paz após anos e anos de conflitos.
- Caminha até ao final, para a tua esquerda, há uma aldeia de pescadores muito bonita, cheia de cor, do outro lado do rio.
Randi Nilsen regressa a casa, para terminar mais um esquema de palavras cruzadas que depois enviará para uma revista de saúde norueguesa. Haveremos de nos encontrar mais vezes nos próximos dias, para rir como se ri no Sri Lanka.


Nada mais se deseja

Mal acordara daquele sono profundo e retemperador, ainda aos primeiros alvores do dia, e deixei os meus passos levarem-me na direcção de onde vinha o rumor das ondas. Para quem, como eu, acabara de chegar de Jaffna, dessa cidade inacessível durante a guerra, Uppuveli surgia, mesmo sob nuvens baixas e cinzentas, como a primeira praia que realmente cativava o meu olhar, embora por vezes distraído mas quase sempre inquiridor. O sol procurava, já com alguma força, romper por entre aquele cortinado que não ameaçava chuva, um quadro tão do agrado das vacas indolentes que me olhavam com indiferença e menos dos poucos turistas que, a estas horas madrugadoras, estendiam as suas toalhas sobre as areias que acolhiam tudo o que o Índico rejeitara ao longo de uma noite em que namorara a praia.



Caminho, seguindo o conselho de Rami Nielsen, para a esquerda; para a direita, como uma varanda sobre o mar, avisto uma elevação que deve ser um miradouro com uma panorâmica soberba sobre a grande extensão de areia de Uppuveli; no final, identifico uma forte corrente de água que não me convida à travessia mas um barco pequeno aproxima-se, com dois homens em pé que parecem perscrutar nos meus olhos uma necessidade de consolo, talvez um pouco semelhante à de um náufrago — encostam a embarcação o mais que podem à margem e incitam-me, com gestos e sem palavras, a saltar para o interior, para me levarem até ao outro lado, onde a vida ganha mais vida e, como garantira a norueguesa bem-humorada, mais cor.

Há barcos ancorados, outros a chegar, outros ainda a partir; uns descarregam grandes quantidades de peixe, alguns partem para a pesca, mas a maior parte lança-se aos perigos do mar pouco depois da meia-noite e volta entre as seis e as sete da manhã — e todos os barcos, mais modernos ou mais primitivos, estão pintados de tonalidades que prendem o olhar. As palmeiras, com os seus troncos esguios e as suas folhas, reflectem-se nas águas como num espelho; contra o céu, cada vez mais azul, recorta-se, numa estabilidade precária, um pescador solitário e, ainda mais para lá, quase sobre a linha do horizonte, um cargueiro sulca as águas cada vez mais prateadas do imenso oceano.
Um caminho, em parte alcatroado, em parte em terra batida, bordejando o riacho que serve de porto de abrigo aos barcos e aos pescadores, conduz-me até um pequeno bar de paredes escurecidas e despidas; logo atrás, o mercado fervilha de vida, os vendedores, curiosos face à presença de um único turista, desviam os olhares das balanças rudimentares onde pesam o peixe para me observarem antes de me sorrirem, como quem, ao fazê-lo, aceita a minha presença. Homens com a água até à cintura, por vezes de lenço na cabeça para se protegerem do sol que já promete incendiar tudo à sua volta, atiram as suas redes e olham para aqui e para acolá de uma forma sonhadora ou apenas ausente.



O mar, esse monstro

Sou obrigado a um desvio de muitos quilómetros, de Pottuvil a Monaragala, de Monaragala a Hambantota e, finalmente, outra vez tendo o mar como vizinho, chego a Tangalla, a meio de uma tarde que ainda me oferece algumas horas de sol. Sentado numa esplanada, ouvindo o som das vagas, deixo que o dia decline sobre a praia de Medaketiya.
Quando a manhã desperta, anunciando mais um dia glorioso, caminho ao longo de Medaketiya, detenho-me na lagoa, na parte da praia decorada com mais barcos, volto a ajudar os pescadores a colocarem as suas embarcações em zonas mais abrigadas; assisto a todo aquele frémito de vida e inspiro as fragrâncias que anunciam a proximidade do porto de pesca e do mercado de peixe, onde tomo café com os pescadores antes de passar pela Rest House, em tempos ocupada por administradores holandeses, e de me entregar à tranquilidade de praias como a de Goyambokka e Marakolliya.



Durante uma semana fico instalado em Galle, a cidade que me serve de base para conhecer algumas das mais inspiradoras praias do sul da ilha. Um dia, vou um pouco para norte, até Hikkaduwa, descoberta pelos hippies na década de 1970 e perfeita para quem se está a iniciar no surf; a maior parte do tempo, recorrendo ao mitíco comboio que liga Galle a Matara, uma linha arrancada pelas ondas do tsunami, passo-o na zona leste, em paraísos como Polhena, a escassos três quilómetros do centro de Matara, onde a vida decorre sem pressa, em Mirissa, mais ídilica ainda e tão próxima de Weligama, onde gosto de me sentar, num rudimentar banco de madeira, olhando os pescadores, as vacas, os surfistas, a minúscula ilha mesmo à minha frente, a Taprobana, refúgio de artistas e escritores, como Paul Bowles, que aqui, neste lugar onde se pode dormir por um pouco mais de mil euros, escreveu The Spider’s House nos anos 50 do século passado.

Ando muito tempo a pé, sempre junto ao mar, esse mar onde as crianças e os adultos passavam muito do seu tempo, mesmo não sabendo (como a maior parte da população) nadar, esse mar que a determinada altura passaram a ver com um monstro que rouba vidas e empregos, destrói casas e deixa milhares e milhares sem um tecto; faço companhia a pescadores, a três crianças de olhos negros e brilhantes que se banham nas águas revoltas do oceano, descubro a excelência da baía de Unawatuna, mais uma praia para sonhadores, percorro-a de uma ponta à outra, aprecio-a do alto de um promontório e, uma vez de regresso às suas areias, inicio uma caminhada mais longa que me irá levar, ao fim de algum tempo, a uma das praias mais isoladas, a Jungle Beach, onde me limito a deixar o tempo passar como se dele nada mais esperasse. Deito os olhos a um mapa, a essa forma de lágrima, procuro localizar as mais belas praias por onde errei ao longo de semanas e a recordação mais vívida que me chega à memória é a de todos os sorrisos que fizeram o favor de me oferecer nesta ilha com tantas lágrimas derramadas.


Pode ver aqui as nossas sugestões no Sri Lanka. 


Fonte: Fugas - Público

sexta-feira, 3 de março de 2017

Patagónia Chilena - um destino de aventura

“O que há de tão excitante em ficar perdido longe de casa?  Tudo fica separado do resto do mundo – é esta a razão”, explica a escritora britânica Florence Dixie, razão pela qual, há 140 anos atrás, se decidiu a ficar na América do Sul e viver as experiências referidas no seu livro “Across Patagonia”. O tempo passou desde então, mas a paisagem que deslumbrou a aventura ainda lá está, convidando os visitantes a esquecer os seus problemas, a deixar os seus telemóveis para trás, respirar fundo e aproveitar o fabuloso destino.  



A Patagónia Chilena é única em diversas formas, desde atrações naturais até uma grande variedade de climas e diversidade geográfica. A área estende-se até 240 000km2, mas a população na excede um habitante por quilómetro quadrado. Está basicamente intocada pelo Homem e mais de 50% do território está sob proteção do Estado. É por isso que é um perfeito destino de aventura para viciados em adrenalina ou amantes da natureza. 

Desde o Norte até ao Sul, a Patagónia Chilena oferece uma grande variedade de beleza natural. Campos gelados, glaciares, montanhas como as Torres del Paine e Cerro Castilo, vastos lagos como o General Carrera ou O’Higgins, rios como o Baker ou Palena, fiordes, canais, florestas. Os visitantes não se cansam destas paisagens, motivo pela qual a Patagónia é classificada tão alto entre os entusiásticos pelo turismo.

Norte da Patagonia (Aysén region)

O Norte da Patagónia é um notável destino localizado no distante sul do Chile. A região de Aysén oferece uma incrível diversidade de paisagens. Os visitantes disfrutam, particularmente, das montanhas, florestas, lagos, rios e fiordes que oferecem experiências inesquecíveis. 
Diferentes deste, existem vários climas e ambientes que dão ao turista uma grande variedade de possíveis atividades. Trekking, rafting, passeios a cavalo, caminhadas no gelo tendem a ser as atividades mais populares entre os turistas.

Puerto Cisnes, na região de Aysén


A Carretera Austral é apreciada como um dos destaques do Norte da Patagónia. É amplamente considerada uma das rotas mais fotogénicas da América. A paisagem avistada quando se viaja ao longo dos 1200 km de estrada é, seguramente, espetacular, e um must-see da região. 
A capital da região, Coyhaique, é conhecida pelas suas tradições culturais rurais. Partilha de ovelhas, domar cavalos e festivais de rodeo são uma grande parte dos costumes da cidade. Para além destes, expedições são realizadas da cidade para vários outros lugares, como, por exemplo, o Parque Nacional do Lago São Rafael. O parque tem uma área de 1.742.000ha e foi declarado Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO. 

O Campo de Gelo do Norte é um dos destaques do parque e a Montanha de San Valentín, o pico mais alto da Patagónia do Chile, 4.058 metros acima do nível das águas do mar, faz parte do seu terreno. Para além destes espetaculares sítios, a região de Aysén é também a casa da Reserva Nacional Cerro Castillo. A sua montanha é a atração principal da Reserva. 


Sul da Patagónia (Região Magallanes)

A região, nomeada depois do famoso explorador português Fernão de Magalhães, é também atrativa para os turistas. O parque Nacional Torres del Paine é considerado um dos destaques do Sul da Patagónia e é um dos principais destinos de aventura. O parque tem uma área de 227.000ha e atordoa os visitantes com os seus inesquecíveis ecossistemas.

Glaciares, lagos, rios, cascatas, florestas estão todos presentes para agradar os olhos dos turistas. Mas a parte mais apreciada do parque são as Torres de Granito. Estas deram às Torres del Paine o seu nome e fizeram-nas uma das melhores formações naturais do planeta. 

As torres del Paine, no Chile


A capital desta região sulista é Punta Arenas. A cidade espalha-se desde a Cordilheira del Paine, no Norte, até Cape Horn, no Sul. É um belo local arquitetónico com um interessante pano de fundo histórico.  Visitantes da Cidade mais a Sul do mundo recomendam o Hotel Rey Don Felipe para uma estadia na Cidade. O hotel, de primeira classe, fica localizado apenas a dois blocos da praça central da cidade e providencia 45 largos, confortáveis e elegantes quartos decorados. A acrescentar à oferta, o Hotel Rey Don Felipe dispõe de pequenos-almoços buffet, acesso Wi-Fi e acesso gratuito ao centro de negócios do hotel e spa, bem como estacionamento gratuito. Também é garantido um staff bilingue e cortês.

Outro dos locais favoritos dos visitantes é Tierra del Fuego, também conhecido como “A Terra do Fogo”. É a maior ilha do Chile, com 29484km2 de área. Também é frequentemente chamada de terra da perfuração de óleo e partilha de ovelhas. O Parque Natural de Karukinka é um dos principais impulsionadores da ilha, em conjunto com o Lago Blanco, que é um popular destino de trekking e aventura. Entusiastas da natureza e trakketing vão, também, apreciar a Cordilheira Darwin e a Ilha Victoria, bem como outro de muitos lagos – o Lago Deseado.  

Contudo, apesar da beleza da Patagónia Chilena, esta é uma área desconhecida para muitos. Supostamente, é isso que Florence Dixie mais apercia da naturalmente inesquecível, emboral isolada região sulista, e talvez seja melhor desta forma. Mas uma coisa é certa, Patagónia Chilena é um sítio sem igual.  Não deixe de ver aqui por onde os nossos aventureiros já andaram no Chile!

Fonte: Tourism-Review 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Phaphos: O Chipre dos mitos, lendas e da arte

Quando se fala de Paphos, fala-se de amor, de Afrodite, desse rochedo que resiste aos humores da natureza, contrariando a história da cidade, que foi durante séculos a capital de uma ilha que agora pretende harmonizar, aproximando as comunidades turca e grega. Paphos é Capital Europeia da Cultura em 2017.

O Parque Arquológico de Phaphos

Se alguém imaginasse, sob os túmulos dos reis, que Paphos se haveria de tornar, tantos anos depois, uma capital, muitos turistas teriam uma surpresa — ou um susto — ao visitar um dos lugares de culto da cidade cipriota.

As cidades, como Paphos, actualmente com cerca de 50 mil habitantes, não são muito diferentes. Têm os seus momentos de esplendor, de glória, logo podem evidenciar sinais de decadência, de se desfazerem em pó, nada mais restando do que uma ruína — a história, como a lente de uma câmara, agarra esses momentos.

Paphos, a despeito de já haver acolhido alguns eventos durante este mês, tem marcada para dia 28 de Janeiro a cerimónia oficial de abertura como capital europeia da cultura, inspirada pelos mitos e com mostras que exacerbam a história, a herança cultural, todo um legado que se apoia na diversidade e no multiculturalismo ao longo dos séculos até chegar aos dias de hoje, de uma cultura mais moderna e aberta, não apenas cipriota mas também europeia.

Como um coração que pulsa mais do que os outros, a cidade enfatiza esse mito que está tão associado ao seu nascimento, à bela história de amor entre Pigmalião e Galateia.

Aos poucos, o crepúsculo baixa sobre Paphos, o sol já se perdeu no horizonte azul manchado de laranja e, uns minutos mais tarde, como que embebido pelas estrelas, o porto, sobre quem parece pesar a responsabilidade de zelar pelo castelo, é iluminado pelas luzes. Entretido pelas minhas memórias, deixo-me invadir por uma vaga de nostalgia quando fito o cenário, mais composto ainda quando dois pelicanos se enquadram na moldura, passeando como um casal varrido por uma onda de romantismo.

Pelo menos é assim que os vejo no momento em que Pigmalião e Galateia regressam ao meu cérebro cheio como um ovo de recordações. Numa cidade moldada por mitos e lendas, reza a história que Pigmalião, um proeminente escultor, sedento de se dedicar à sua arte e, ao mesmo tempo, descontente com a vida fácil a que se entregavam as mulheres em Amatonte, tomou a decisão de viver no mais completo celibato, uma atitude que provocou o desagrado de Vénus, cujo templo se erguia nessa mesma cidade da ilha. Vénus não compreendia e não podia aceitar uma existência sem amor e, ofendida com Pigmalião, vingou-se desse homem que trabalhava a pedra, enfeiticiando-o ao ponto de ele se apaixonar por uma estátua esculpida do marfim, uma obra de uma beleza sem paralelo, talhada pelo seu cinzel e a que a deusa do amor resolvera chamar Galateia.

A tristeza preencheu o coração de Pigmalião e, assomado por essa aventura solitária que adquiria a forma de desventura, vivendo nessa angústia, o artista começou a dar eco a súplicas que ao fim de algum tempo acabaram por comover Vénus. E esta, para quem o amor era prioritário, animou a estátua com o fogo da vida, nessa nova condição Galateia casou com Pigmalião e desse matrimónio nasceu um filho (há quem defenda, entre outras teses e interpretações para as origens da toponímia, que era uma filha) a que ambos deram o nome de Paphos.

Soa bem a história, a lenda, o mito. E Paphos fundou a cidade.

A arte ao ar livre

Forte de Phaphos


Eternamente grata ao seu criador, a cidade celebra a sua criação na convicção profunda de que é, ela própria, uma peça de arte, um museu a céu aberto, neste ano tão especial uma Open Air Factory, o conceito em que se baseia e que não se limita ao espaço — a abertura visa, talvez até com maior afectação, a tolerância, a aceitação e o encorajamento e a integração de culturas, ideias e crenças. Paphos funciona, desde tempos imemoriais, como uma ponte entre o oriente e o ocidente e, nesse sentido, assume em 2017 uma parte significativa da responsabilidade de ligar continentes, de aproximar a Europa de que faz parte ao Médio Oriente do qual está tão perto, proporcionando um intercâmbio de culturas. Em simultâneo, o programa de Paphos como Capital Europeia da Cultura pretende minimizar as diferenças entre os turistas, os residentes e os imigrantes, numa tentativa de transformar todo o distrito, simbólica e fisicamente, num espaço comum e de partilha para todos os cidadãos.

Mas as boas intenções de Paphos não esquecem, nestes tempos conturbados, a realidade de uma ilha dividida desde 1974, duas comunidades em permanente tensão, a grega no sul, a turca no norte — as iniciativas, para encurtar as distâncias, serão uma realidade durante 360 dias, inseridas no tema Stages of the Future, uma refererência ao futuro mas também ao presente através de mostras de um mundo contemporâneo e dos seus avanços tecnológicos, os seus problemas, sonhos e esperanças, bem como as suas iniciativas e ideias para uma mudança, particularmente focada num futuro em comum das duas comunidades cipriotas e no desenvolvimento de um diálogo intercultural, na verdade os dois pontos-chave daquela que é uma das grandes apostas de uma das capitais europeias da cultura este ano.


Perscrutando as luzes dançando nas águas e recebendo a brisa e a fragrância vinda do mar, o meu imaginário sente-se seduzido pela história deste porto estratégico, tomado pelos Ptolomaicos no início do século IV a. C., pouco depois da conquista do Egipto. Nikokles era, por essa altura, o rei de Paphos e a sua ascensão ao trono traduziu-se num desenvolvimento significativo do reino, especialmente quando o soberano decidiu abandonar Palai Paphos e instalar-se na actual Kato Paphos, cuja fundação remonta ao ano 320 a. C. — a cidade antiga perdeu importância, enquanto Kato Paphos, decididamente virada para o mar e com vocação para o comércio marítimo, revelava todo um potencial que não tardaria a ser aproveitado. Era o início de uma nova era para Paphos, que rapidamente se tornou no centro cultural, financeiro e administrativo da ilha, provando que a decisão de Nikokles estava correcta — e a cidade, mais tarde mandada fortificar pelo rei (as ruínas ainda hoje se podem ver), permaneceu como capital durante cerca de 400 anos e assim se manteve quando se submeteu ao jugo dos romanos.

Paphos foi violentamente atingida por um terramoto 15 anos antes do nascimento de Cristo — a cidade ficou reduzida a ruínas. E outros se seguiram ao longo da sua história, o último dos quais em meados do século passado, destruindo uma cidade que também não foi poupada, anos antes, em 1878, pelos otomanos, que a abandonaram entregue à sua fome e miséria, com alguns minaretes decorando antigas igrejas. 

Por agora, a baía permance tranquila, envolvida numa serenidade tão apaziguadora e, ao contrário de Paphos e dos treinadores, imperturbável, aparentemente menos vulnerável aos humores do mundo, de uma beleza singular. Aqui e acolá, casais de namorados, observando a espuma que se desfaz na praia, acreditam que o amor é eterno e mesmo que, aqui, tão perto de Paphos, novamente capital, a deusa Afrodite irá emergir das águas com o seu corpo de marfim, ainda mais bela do que Galateia, a estátua que se transformou em mulher para dar um filho a Pigmalião.

Fonte: Fugas - Público